Sindsaúde convoca para manifestação contra fechamento da urgência do Cais Cândida de Morais em Goiânia
O possível fechamento da ala de urgência e emergência do Cais Cândida de Morais tem mobilizado trabalhadores da saúde e usuários da unidade. Nesta terça-feira, 13, às 9h, o Sindsaúde realiza uma manifestação no local para denunciar o que classifica como um processo de esvaziamento deliberado do serviço por parte da gestão municipal. Em resposta ao Jornal Opção, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informou que não tem intenção de fechar o CAIS Cândida de Morais. Veja a nota ao fim da matéria.
Segundo a presidenta do sindicato, Neia Vieira, embora a Prefeitura de Goiânia negue publicamente o fechamento da unidade, o que ocorre na prática é a redução gradual da capacidade de atendimento. “É uma estratégia que já vimos antes. Eles negaram o fechamento da emergência do CIAMS do Novo Horizonte e, pouco tempo depois, fecharam. Primeiro esvaziam, depois anunciam o encerramento”, afirma.
De acordo com denúncias recebidas pelo sindicato, há meses o Cais Cândida de Morais enfrenta redução de profissionais nos plantões, retirada de insumos e falta de equipamentos básicos. Com isso, usuários chegam à unidade e são encaminhados para outros serviços sob a justificativa de ausência de atendimento, o que diminui artificialmente o fluxo e fragiliza a permanência da urgência e emergência.
Fechamento confirmado em outra unidade acende alerta
A preocupação dos trabalhadores é reforçada pelo fechamento da urgência e emergência do CIAMS do Novo Horizonte, que atualmente funciona apenas como ambulatório. Para Neia Vieira, o caso demonstra um padrão de atuação da gestão. “A urgência e emergência lá foi totalmente fechada. Isso aumenta o temor de que o mesmo caminho esteja sendo seguido no Cândida de Morais”, diz.
O sindicato avalia que essas decisões fazem parte de um projeto mais amplo de terceirização da saúde municipal. A presidenta do Sindsaúde aponta que a atual gestão mantém diretrizes herdadas da administração anterior, que defendia a transferência de unidades públicas para organizações sociais. “Já fizeram isso com hospitais e maternidades. Agora os ruídos indicam que UPAs e unidades ambulatoriais também podem ser terceirizadas”, alerta.
Falta de insumos, exames demorados e risco de erros médicos
Além do risco de fechamento de unidades, o Sindsaúde denuncia problemas estruturais graves na rede municipal de saúde. Entre eles, a falta de insumos, equipamentos defasados e a demora excessiva na liberação de exames laboratoriais após a terceirização do serviço.
Segundo Neia Vieira, exames que antes eram liberados em minutos ou poucas horas passaram a levar até 10 horas para ficarem prontos, o que compromete atendimentos de urgência e ambulatoriais. Outro problema grave envolve o sistema de imagens de raio-X, que estaria sem contrato ativo por falta de pagamento. Com isso, os exames são realizados, mas não podem ser disponibilizados adequadamente aos médicos.
“A Prefeitura está fazendo o usuário assinar um termo de responsabilidade e levar a imagem fotografada para o médico. Isso gera diagnósticos equivocados e coloca pacientes em risco”, denuncia a dirigente sindical. Técnicos de raio-X, segundo ela, são obrigados a seguir esse procedimento sob ameaça de demissão.
Greve dos credenciados amplia crise na saúde
O cenário se agrava com o início da greve dos trabalhadores credenciados da saúde, marcada também para esta terça-feira, 13, com ato no setor Jardim América. A paralisação envolve profissionais de diversas categorias e é motivada por atrasos salariais recorrentes, precarização dos contratos e más condições de trabalho.
Para o Sindsaúde, a soma desses fatores representa um grave ataque ao Sistema Único de Saúde e ao direito constitucional da população ao acesso à saúde pública. A manifestação no Cais Cândida de Morais busca pressionar a Prefeitura a manter a unidade em funcionamento pleno, garantir condições dignas de trabalho e abrir diálogo com trabalhadores e usuários.
Nota da prefeitura
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) não tem intenção de fechar o CAIS Cândida de Morais.
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