Estudo diz que desmatamento na Mata Atlântica aumenta picadas de mosquitos em humanos
O avanço do desmatamento na Mata Atlântica está alterando o comportamento dos mosquitos e elevando a frequência de picadas em humanos, com impactos diretos para a saúde pública.
É o que revela um estudo publicado nesta semana na revista científica Frontiers in Ecology and Evolution. A pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz, e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisou populações de mosquitos em áreas preservadas e fragmentadas do bioma.
Os resultados mostram que a perda de biodiversidade faz com que espécies que antes se alimentavam de diferentes animais recorram cada vez mais ao sangue humano. Segundo o biólogo Jerónimo Alencar, do IOC/Fiocruz, a presença humana crescente em regiões antes florestais altera a dinâmica natural desses insetos.
“Mostramos que as espécies de mosquitos capturadas em remanescentes da Mata Atlântica têm uma clara preferência por se alimentar de humanos”, afirma. O dado chama atenção porque surge em áreas que ainda concentram diversidade de animais silvestres, potenciais fontes alternativas de alimento.
Preferência por humanos cresce com a fragmentação florestal
Para identificar a origem do sangue ingerido pelos mosquitos, os pesquisadores instalaram armadilhas luminosas em duas reservas naturais do estado do Rio de Janeiro: a Reserva Sítio Recanto e a Reserva Ecológica do Rio Guapiaçu. Ao todo, foram coletados 1.714 mosquitos de 52 espécies diferentes.
Entre eles, 145 fêmeas apresentavam sinais de alimentação recente. A análise genética conseguiu identificar a origem do sangue em 24 amostras. Dessas, 18 tiveram origem humana. As demais vieram de aves, um anfíbio, um roedor e um canídeo.
O estudo também identificou alimentação mista. Um mosquito da espécie Cq. venezuelensis havia se alimentado tanto de um anfíbio quanto de um humano. Já exemplares de Cq. fasciolata apresentaram combinações envolvendo aves, roedores e pessoas.
“O comportamento dos mosquitos é complexo. Mesmo quando há preferências naturais, a disponibilidade e a proximidade do hospedeiro pesam muito na escolha”, explica Alencar.
Mais picadas, maior risco de doenças
O aumento da frequência de picadas em humanos preocupa especialistas porque os mosquitos são vetores de diversos vírus. Nas áreas estudadas, circulam agentes causadores de doenças como febre amarela, dengue, zika, chikungunya, mayaro e o vírus sabiá.
Para o pesquisador Sergio Machado, da UFRJ, o fenômeno está diretamente ligado à perda de opções naturais de alimentação. “Com o desmatamento e a redução da fauna silvestre, os mosquitos ficam com menos alternativas. Acabam se alimentando mais de humanos por conveniência, já que somos os hospedeiros mais comuns nessas áreas”, conclui.
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