Dados do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) indicam que 18,7 mil famílias aguardam acesso à terra em Mato Grosso do Sul, entre pessoas cadastradas recentemente e famílias acampadas nos últimos anos. O número evidencia a demanda por assentamentos, enquanto os processos de obtenção de novas áreas seguem em análise, sem previsão concreta de conclusão. O Instituto informou que os processos de obtenção de áreas ainda estão em fase administrativa. Atualmente, nove áreas foram avaliadas e seguem com procedimentos em andamento. A principal estratégia adotada tem sido a aquisição de imóveis rurais por meio de compra e venda, conforme o Decreto nº 433/1992, em substituição à desapropriação por improdutividade. Como os processos ainda não foram concluídos, o órgão afirma que não é possível confirmar a destinação dessas áreas para assentamentos. Somente em 2025, foram realizados 5.752 novos cadastros de famílias interessadas na reforma agrária. Segundo a assessoria de imprensa do Incra no Estado, a esse contingente somam-se 12.980 famílias acampadas registradas em 2024, formando um universo de quase 19 mil famílias à espera de terras. Nem todas são novas acampadas; parte desse público corresponde a famílias que ainda não haviam sido formalmente cadastradas nos sistemas oficiais. De acordo com a assessoria de imprensa, em 2025 foram aplicados R$ 9,6 milhões em créditos produtivos, beneficiando cerca de 1.207 famílias em diferentes regiões do Estado. Também foram regularizadas 1.019 famílias e emitidos 3.470 CCUs (Contratos de Concessão de Uso), instrumento que garante a posse provisória da terra, mas não equivale à titulação definitiva. Em setembro de 2025, o superintendente do Incra em Mato Grosso do Sul, Paulo Roberto da Silva, confirmou que ainda não foram criados novos assentamentos no Estado durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, a meta do órgão é assentar entre 5 mil e 7 mil famílias até 2026. Protestos – Para pressionar a aceleração da reforma agrária, trabalhadores rurais sem-terra têm realizado protestos. Na semana passada, 300 integrantes do MSTB (Movimento dos Trabalhadores de Verdade Sem Terra do Brasil) ocuparam a sede do Incra, na Capital. Eles vieram de acampamentos localizados em municípios como Ribas do Rio Pardo, Dourados, Campo Grande e Nioaque. Em frente ao prédio, o grupo exibiu uma faixa com cobrança direta ao governo federal: “Lula, já foram três anos. Cadê a reforma agrária?”. Na ocasião, o dirigente nacional do MSTB, Douglas Elias, afirmou que há famílias que estão há mais de 12 anos à espera de um lote. Em novembro passado, outro ato ocorreu no Incra, quando cerca de 100 pessoas ocuparam o prédio exigindo a desapropriação da Fazenda Lago Azul, em Campo Grande. Segundo Estanislau Duarte, do Movimento Dorcelina Folador, a área é aguardada por famílias acampadas às margens da MS-010 desde 2023. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .