Goiás tem mais de 10 mil mulheres sob acompanhamento do Batalhão Maria da Penha
O Batalhão Maria da Penha, sediado em Goiânia, atende atualmente mais de 10 mil mulheres com medidas protetivas ativas e tem ampliado suas ações de acompanhamento, prevenção e enfrentamento da violência doméstica. O balanço foi apresentado ao Jornal Opção pela major Márcia Elizabeth, subcomandante da unidade, ao detalhar as atividades desenvolvidas ao longo de 2025.
Os dados comparativos entre 2024 e 2025 mostram crescimento expressivo nas ações do batalhão. Os acompanhamentos de medidas protetivas passaram de 211.355 em 2024 para 261.144 em 2025, um aumento de 24%. Já as ações educativas subiram de 489 para 629, representando crescimento de 29%.
Segundo a major, o acompanhamento das assistidas começa assim que o Poder Judiciário defere a medida protetiva e a decisão é encaminhada ao batalhão. “A partir do momento em que a medida chega ao nosso e-mail, iniciamos os acompanhamentos presenciais, indo à casa de cada assistida”, afirmou.
Durante as visitas, as equipes verificam a situação da vítima, avaliam se o agressor está cumprindo a medida judicial e prestam orientações. “Nossas equipes conversam com a assistida, verificam como ela está, se o agressor tem descumprido a medida e fazem todas as orientações necessárias”, explicou. Além disso, é disponibilizado o contato direto da viatura via WhatsApp para acionamento rápido em caso de emergência.
A major destacou ainda o pioneirismo da unidade. “O Batalhão Maria da Penha foi o primeiro batalhão criado no Brasil, aqui em Goiânia, e isso demonstra a preocupação do Governo de Goiás em ofertar segurança e acolhimento às mulheres vítimas de violência”, ressaltou. Segundo ela, o trabalho é realizado de forma integrada com toda a rede de enfrentamento à violência doméstica.
Na área preventiva, o batalhão promove palestras e campanhas educativas em escolas, clínicas, empresas e outros espaços. “Quando a mulher entende o que é a violência doméstica, quais são as modalidades previstas na Lei Maria da Penha e como pedir ajuda, ela cria coragem para denunciar, porque percebe que está sendo acolhida”, afirmou.
A subcomandante também citou a parceria firmada em dezembro de 2024 entre a Polícia Militar e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), com foco nas mulheres da zona rural. “O conhecimento é a chave. Muitas mulheres do campo não têm acesso à informação nem facilidade para pedir ajuda, e essa parceria facilita nossa aproximação para levar informação de qualidade”, explicou.
Outro instrumento destacado foi o aplicativo Mulher Segura, lançado em 2023 pelo Governo de Goiás. “É o primeiro aplicativo do Brasil voltado ao atendimento de mulheres vítimas de violência. Ele é georreferenciado, rápido, prático e seguro, permitindo um contato direto com o Copom para o envio imediato da viatura mais próxima”, pontuou.
Para a major, a medida protetiva é fundamental no combate à violência doméstica. “A medida protetiva é um mecanismo extremamente eficaz, ela salva vidas. Por isso orientamos que a mulher denuncie e solicite essa proteção judicial”, reforçou.
Ela também destacou o investimento na capacitação dos policiais, com a realização de oito cursos operacionais Maria da Penha. “Nesta semana, inclusive, formamos a primeira turma de alunos oficiais do Brasil a concluir o curso operacional Maria da Penha, garantindo um atendimento cada vez mais humanizado e qualificado”, afirmou.
A subcomandante deixou um recado direto às vítimas: “Denunciem. Podem contar com o Governo de Goiás e com a Polícia Militar. O silêncio é a arma do agressor. Não se calem”, declarou.
Segundo ela, apesar de o feminicídio ser um crime complexo e brutal, o trabalho de prevenção e combate é contínuo. “Estamos trabalhando incansavelmente, todos os dias, para prevenir e combater essa modalidade criminosa.”
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