É fato que a gente passa a vida pedindo favores — e fazendo também. “Me empresta uma caneta?”, “Você pode pegar aquele livro pra mim?”, “Me passa o contato do seu marceneiro?”. São pedidos simples, de baixo impacto, que não geram desconforto nem colocam ninguém em uma saia justa. Pedir ajuda faz parte da convivência. O problema começa quando o pedido vira um peso, e você sabe quando está passando dos limites. É só se colocar no lugar da pessoa. Existem pedidos que não se fazem. Não porque a outra pessoa não possa ajudar, mas porque o custo emocional, financeiro ou logístico é alto demais para ser colocado nas costas de alguém como se fosse pouca coisa. Por exemplo: pedir grandes quantias de dinheiro; pedir o carro emprestado; pedir para alguém levar um pacote numa viagem; pedir carona no dia do próprio jantar de aniversário da pessoa; pedir um favor que exige tempo, exposição, risco ou responsabilidade. Nesses casos, o pedido já nasce injusto. Quem pede, muitas vezes, se apoia na frase: “não custa perguntar”. Mas custa, sim. Custa constrangimento, desconforto e, principalmente, a obrigação silenciosa de ter que dizer “não”. Recusar um pedido grande não é simples. A pessoa passa a se justificar, se explicar, se sentir culpada. O “não” vem acompanhado de um pedido de desculpas que nem deveria existir. E, em muitos casos, vem também com medo de parecer egoísta, ingrata ou insensível. Colocar alguém nessa posição não é gentileza, é falta de percepção. Um bom filtro antes de fazer qualquer pedido é se perguntar: se eu estivesse no lugar dessa pessoa, eu me sentiria à vontade para recusar sem culpa? Se a resposta for não, talvez o pedido não devesse ser feito. Relacionamentos saudáveis não são construídos à base de favores pesados, mas de respeito aos limites do outro. Saber pedir é tão importante quanto saber ouvir um “não”. E, mais do que isso, é saber quando nem perguntar é a atitude mais educada.