Ramal ferroviário que ligará a planta do Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência, à malha nacional, foi lançada oficialmente nesta sexta-feira (6) com a promessa de reduzir o tráfego pesado nas rodovias do Vale da Celulose e reconfigurar a logística da região. O ramal terá 54 quilômetros de extensão, investimento privado de quase R$ 2 bilhões e capacidade para substituir até 190 viagens de caminhões por dia. A ferrovia permitirá que a produção de 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano siga diretamente de trem até o Porto de Santos, diminuindo conflitos viários, acidentes e o desgaste da infraestrutura rodoviária. Segundo o ministro dos Transportes, Renan Filho, a obra não cria um novo problema logístico, mas resolve um gargalo histórico. “A ferrovia não é o problema. A ferrovia é a solução. Ela reduz caminhões nas estradas, diminui conflitos e garante mais segurança para as pessoas”, afirmou. Renan detalhou a escalada de investimentos federais em Mato Grosso do Sul. Em 2022, o Estado recebeu R$ 250 milhões. Em 2023, o valor subiu para R$ 600 milhões. Em 2024, chegou a R$ 750 milhões. Para 2025, estão previstos R$ 850 milhões em investimentos do Ministério dos Transportes. Além disso, as concessões da BR-262, BR-267, BR-163 e de uma rodovia estadual somam cerca de R$ 20 bilhões em investimentos privados, valor que não inclui o ramal ferroviário da Arauco. “Em novembro, vamos conceder a Malha Oeste, com rebitolagem da ferrovia de Campo Grande até São Paulo. Isso reintegra Mato Grosso do Sul à malha ferroviária nacional”, disse o ministro. Para o diretor-presidente da Arauco, Carlos Altimiras, a ferrovia não é acessório, mas parte central do empreendimento. “A ferrovia não é um complemento do projeto. Ela é um dos seus principais pilares estruturantes”, afirmou. Segundo ele, o Projeto Sucuriú se consolidou como o maior projeto de celulose do mundo implantado em etapa única, resultado de escolhas técnicas que elevaram a complexidade industrial, logística e social do empreendimento. “Essa short line conecta a floresta à indústria, a indústria aos portos e o Brasil aos mercados globais, com eficiência, previsibilidade e escala”, disse Carlos. O governador Eduardo Riedel (PP) destacou que o investimento ferroviário é parte de um pacote mais amplo. “O Estado está aplicando R$ 1,1 bilhão no entorno da rota, com obras em rodovias como a MS-444, MS-316, MS-040, MS-320 e MS-377, além da futura concessão até Paranaíba”, afirmou. Riedel também ressaltou o aporte da MSGás, que assinou R$ 170 milhões para levar gás natural à unidade industrial, somando-se à geração própria de energia por biomassa. “Hoje, 94% da energia gerada em Mato Grosso do Sul vem de fontes renováveis. Isso nos coloca no caminho para sermos o primeiro estado carbono neutro do Brasil até 2030”, disse. No meio do evento, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, fez uma intervenção breve, com tom político e histórico. “Quem sonhou e deu as mãos não olhou para ideologia nem para partido. É esse o Brasil que deixa narrativas de lado e olha para frente”, afirmou. Além de atender exclusivamente à Arauco, a ferrovia nasce dentro do Novo Marco Regulatório das Ferrovias, instituído em 2021, e é a primeira short line autorizada no país nesse modelo. Para Renan Filho, o impacto vai além da logística da celulose. “Imaginem ligar Campo Grande, Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas diretamente à malha paulista. Isso facilita a atração de novos investimentos e cria uma nova rota de desenvolvimento para o Estado”, disse. Com a ferrovia, a expectativa é que a exportação pelo Porto de Santos seja ampliada gradualmente, com menos caminhões nas estradas e maior previsibilidade logística.