Departamento de Estado dos EUA emite alerta para que as embaixadas do país no Oriente Médio sejam evacuadas
Pela primeira vez, desde o início da crise com o Irã, em dezembro do ano passado, e após o envio de um terço da força militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio, o presidente Donald Trump recebeu um relatório completo do Pentágono sobre as opções militares disponíveis para iniciar um ataque ao Irã. O documento foi entregue, pessoalmente, pelo almirante Brad Cooper, comandante militar de mais alta patente dos EUA no Oriente Médio.
O general Dan Keine, chefe do Estado-Maior, também participou da reunião que aconteceu na Sala de Situação, na Casa Branca, três horas depois do fim da terceira rodada de negociação com o Irã, em Genebra, na Suíça, que, mais uma vez, fracassou. A Sala de Situação (Situation Room) é um complexo de 460 m² localizado no subsolo da Ala Oeste da Casa Branca. O ambiente é operado 24 horas por dia, 7 dias por semana, pelo Conselho de Segurança Nacional.
Criado em 1961, este local funciona como centro de inteligência e comando para crises e está equipado com tecnologia de ponta para comunicações seguras e monitoramento global. O presidente dos Estados Unidos só ocupa esta sala quando precisa tomar decisões sobre crises internas e externas. Foi na Sala de Situação que a guerra do Vietnã e a do Iraque foram monitoradas, assim como os ataques de 11 de setembro e a operação que resultou na morte de Osama bin Laden; por isso, a presença de Donald Trump por ali sinaliza que seu governo já decidiu pelo início dos ataques ao Irã. Hoje, em entrevista ao jornal The New York Times, um ex-agente da CIA disse que a incursão das Forças Americanas contra o regime iraniano começa na próxima segunda-feira, 2 de março.
Hoje, os Estados Unidos emitiram um elevado alerta de viagem para Israel e evacuaram pessoal diplomático não essencial de Beirute. O mesmo aconteceu em Jerusalém, onde funcionários e suas famílias foram orientados a deixar o país. O embaixador americano, Mike Huckabee, alertou os funcionários da Embaixada em Jerusalém e em Tel Aviv, dizendo: “Quem quer sair do país que faça isso hoje.” Huckabee ainda escreveu, em um e-mail para a equipe diplomática em Israel: “Foquem em conseguir um assento em voos que vão para qualquer lugar e, então, sigam para Washington, DC. A prioridade é deixar o país imediatamente.”
O alerta foi o último indicativo da possibilidade de um ataque iminente ao Irã e acontece no mesmo momento em que as companhias aéreas estão cancelando voos para o Oriente Médio. O anúncio da embaixada dos Estados Unidos em Israel aconteceu ao mesmo tempo que o Canadá pediu aos seus cidadãos no Irã que deixem o país o mais rápido possível. A China também fez o mesmo, alertando seus cidadãos para evitarem viajar para o Irã e, àqueles que estão por lá, que deixem o país imediatamente devido aos “riscos de segurança externos”. Austrália, Polônia, Suécia, Índia e outros países estão emitindo alertas, desde a semana passada, pedindo aos seus cidadãos que deixem a região.
Companhias aéreas já começaram a alterar as rotas que passam pela região. A Qatar Airways cancelou todos os voos para o Irã até 30 de junho. No início deste mês, a KLM suspendeu os voos entre Amsterdã e Tel Aviv. A Lufthansa anunciou que, a partir da próxima semana, também vai suspender a rota Berlim–Tel Aviv. A Scandinavian Airlines também encerrou temporariamente os voos que partem da Noruega para Israel.
Enquanto isso, no Iraque, o grupo terrorista Kataeb Hezbollah, patrocinado pelo Irã, disse aos seus membros que estejam preparados para uma longa guerra no país vizinho. Na ONU, o Alto Comissário para os Direitos Humanos disse, hoje, que deve haver uma tentativa, entre os dois países, de evitar a violência. “Estou alarmado com a escalada militar regional e seu impacto sobre os civis. Espero que a voz da razão prevaleça”, disse Volker Turk no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
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