Educação: ponto de partida para um Brasil melhor para todos. Por que não olhar o exemplo da Estônia?
Não são poucos os problemas que afligem o brasileiro médio, aquele que trabalha, cuida da família, paga em dia seus impostos, trata com respeito seus semelhantes e aspira para os filhos uma vida melhor do que a que experimenta. Um deles diz respeito à Saúde Pública.
Quem não tem posses, não pode pagar um bom plano de saúde ou não desfruta de um cargo público que lhe assegure assistência médica de qualidade e gratuita, ver-se-á em apuros se necessitar de cuidados médicos urgentes ou especializados.
Se necessitar urgentemente de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para si ou para um familiar, enfrentará dificuldades e até risco de vida.
Mesmo que pertença à classe média, dependendo da cidade ou bairro onde viva, é provável que em sua região o acesso a uma rede de esgotos tratados não exista, o que significa riscos adicionais à saúde da família.
Quando se fala de segurança pública, o problema não é menos angustiante. Cercado pelos maiores produtores de cocaína e maconha, rota de passagem destas drogas para os grandes consumidores norte-americanos e europeus, o país viu crescer, nos últimos trinta anos, sob a displicência do governo federal, o crime organizado, a ponto de abrigarmos hoje duas multinacionais do tráfico — o paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e o carioca Comando Vermelho (CV), que detêm um enorme poder financeiro e militar, e governam regiões do território nacional. São as máfias tropicais.
Os crimes direta e indiretamente ligados ao tráfico assolam a vida de quem labuta e só não crescem mais dado a luta das polícias mais eficientes e destemidas de alguns Estados.
A despeito de sermos os maiores exportadores de grãos do planeta, temos uma infraestrutura rodoviária deficiente, e uma ferroviária quase inexistente.
Educação: o retrato do abandono
E aqui vai o mais importante — nossa Educação é muito falha, seja no ensino básico, seja no ensino médio, seja no universitário.
As avaliações internacionais mostram o Brasil nos últimos lugares quando se fala nos oito anos da educação básica e média.
A comparação com outros países da América Latina, como Argentina, Chile e Uruguai mostra como nos descuidamos de nossos jovens.
Um jovem português — e Portugal não é um país rico — que tenha, digamos, 15 anos e cursou os oito anos do ensino pré-universitário, teve, em média, um bom aproveitamento, da ordem de 90%, comparável aos de seus pares dos 38 países desenvolvidos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Já o jovem brasileiro, nas mesmas condições — 15 anos de idade e oito de estudos — mostra um desempenho, principalmente em matemática e ciências, bem inferior. Teve um aproveitamento de apenas 60%!
As universidades brasileiras, que eram exemplares no século passado — e produziram candidatos plenamente merecedores de um prêmio Nobel, como o médico Carlos Chagas, o físico Cesar Lattes e o engenheiro agrônomo Alysson Paolinelli —, são hoje arremedos do que eram.
Entre as 200 melhores do planeta não há universidade brasileira, embora Argentina, México, Austrália, Singapura e até a pequena Hong Kong estejam representadas.
Esses enormes problemas, de responsabilidade do governo federal, vêm sendo sistematicamente descuidados desde o final dos anos 1980, e consequentemente agravados. Para seu enfrentamento é necessário uma mudança de comportamento muito profunda na atuação dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e uma grande compreensão e colaboração da sociedade.
De todos os graves problemas estruturais que o Brasil enfrenta, o mais urgente é o da educação, por uma razão: um país desenvolvido em Educação tem as ferramentas para enfrentar os demais problemas que possam afligi-lo.
Uma sociedade educada exige que seu governo aja no sentido de garantir a segurança pública.
Suas polícias estarão devidamente instruídas e preparadas para enfrentar os desafios do crime organizado; seu governo saberá como se articular com governos vizinhos para uma vigilância de fronteiras e combate ao contrabando de drogas e armas, e saberá como usar a inteligência na prevenção da criminalidade.
Sua Justiça saberá tratar com rigor os crimes e aplicará sem leniência as leis aos infratores. Seus legisladores terão preparo suficiente para elaborar as leis penais que a Justiça aplicará visando a redução da criminalidade, sem concessões exageradas a menores infratores, desencarceramento, liberação de drogas.
O cidadão estudado conhece seus direitos e os deveres do governo, estará sempre vigilante e saberá votar.
Jornalistas que têm discernimento e conhecimento histórico — o que se consegue com a educação — não manipulam notícias, não escondem fatos, não protegem governos para levar vantagens ou exercitar sua militância, mas adotam uma postura de seriedade profissional.
A educação faz cidadãos conscientes, que não aceitam uma saúde pública deficiente, enquanto se gastam bilhões em corrupção, auxílio a governos estrangeiros “companheiros”, viagens desnecessárias com enormes comitivas deslumbradas, empresas públicas deficitárias e outros desperdícios.
A educação cria políticos honestos, com sentido de missão, legisladores preparados, juízes de qualidade e responsabilidade. A educação faz médicos competentes e conscientes, engenheiros de obras sem risco, advogados com percepção do que atende à sociedade.
A educação ensina a viver em conjunto, respeitar o próximo, proteger os vulneráveis. É ela que faz pais conscientes, aptos a fazer com que os filhos sejam também conscientes de uma cidadania honesta e respeitosa.
O bom exemplo da Estônia
Só uma educação básica e média de qualidade melhorará o desempenho dos novos professores, conferirá a eles um sentido de dever no orientar alunos e os afastará da militância política ruinosa que hoje impera.
A educação tornará melhores nossos políticos, pois uma escola de qualidade transmite, além dos conhecimentos históricos, linguísticos, matemáticos e científicos os morais e cívicos, tão necessários e tão esquecidos nos dias de hoje.
A educação ensina a dignidade do trabalho honesto, da não exploração ou aproveitamento de outrem.
A educação, enfim, é a base para o desenvolvimento de um país, para a formação da riqueza de seu povo, quer material, quer moral.
Deveríamos seguir os bons exemplos, dos países que se encontravam em subdesenvolvimento ou tinham sistema educacional insuficiente e que investiram maciçamente em Educação e encantaram o mundo com seu progresso.
Foi o caso do Japão, da Coreia do Sul, do Vietnã e da Estônia, entre outros.
Falemos da Estônia: em 1991, ao se libertar do jugo comunista, a Estônia era um dos países mais atrasados da Europa. Resolveram, seus dirigentes, agora democráticos, dar prioridade um à educação.
Os estonianos elaboraram um programa, denominado “Salto do Tigre”, para informatizar escolas urbanas e rurais, valorizar professores, ensinar estimulando compreensão e raciocínio, banir assuntos políticos do ambiente escolar.
Nas avaliações internacionais, hoje, o país europeu mais bem classificado em ensino básico e médio não são Alemanha, Inglaterra ou França. É a Estônia.
Em 1990, o PIB per capita da Estônia era equivalente ao do Brasil. Hoje é mais que o dobro.
Precisamos mudar, radical e urgentemente, nossa educação, para que, daqui a alguns anos sintamos os efeitos positivos, que não são imediatos.
Mas a grande pergunta é: quem terá coragem e disposição para promover as mudanças, se o atual estado de coisas interessa — e é até fundamental — para a despreparada cúpula da classe política que governa país?
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