Tarifa extra e cotas da China à carne bovina ameaçam exportações de Goiás em 2026 e podem pressionar preços
A decisão do governo da China de aplicar salvaguardas à importação de carne bovina a partir de 1º de janeiro de 2026 representa um risco direto para as exportações de Goiás, um dos principais polos do setor no país. Com mais de 50% da carne bovina goiana destinada ao mercado chinês, a imposição de cotas e tarifa adicional de 55% sobre volumes excedentes pode reduzir receitas, pressionar preços e afetar toda a cadeia produtiva estadual.
Goiás encerrou 2024 com cerca de 420 mil toneladas de carne bovina exportadas. Em 2025, considerando o período de janeiro a setembro, o volume já alcança aproximadamente 335 mil toneladas, mantendo o estado entre os principais exportadores do país.
A China segue como o principal destino da carne goiana, com aproximadamente 390 mil toneladas, o equivalente a 51,7% do total exportado. Em seguida aparecem Hong Kong (cerca de 85 mil toneladas, 11,3%), Egito (62 mil toneladas, 8,2%) e Chile (38 mil toneladas, 5%).
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado de Goiás (Sindicarnes), Leandro Luiz Stival, o elevado grau de concentração no mercado chinês amplia a vulnerabilidade do setor. Segundo ele, qualquer restrição imposta por Pequim tende a ter reflexos imediatos sobre produção, preços e investimentos no estado.
China impõe cotas e tarifa extra de 55%
O Ministério do Comércio da República Popular da China (MOFCOM) anunciou que, entre 2026 e 2028, adotará um sistema de salvaguardas para a importação de carne bovina. A medida estabelece cotas anuais por país exportador e determina que os volumes que ultrapassarem esses limites sejam taxados com uma tarifa adicional de 55%, além da alíquota já existente.
O Brasil, maior fornecedor do produto ao mercado chinês, terá uma cota inicial de 1,106 milhão de toneladas em 2026, com crescimento de cerca de 2% nos dois anos seguintes. Exportações acima desse teto tendem a se tornar economicamente inviáveis.
Segundo o governo chinês, a decisão busca proteger a indústria doméstica, que enfrenta dificuldades diante do aumento expressivo das importações nos últimos anos, e equilibrar a oferta interna.
Abrafrigo alerta para impacto bilionário
Em nota oficial, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) classificou a medida como um risco “material e imediato” para o desempenho das exportações brasileiras. A entidade estima que o impacto potencial pode chegar a US$ 3 bilhões em perdas de receita já em 2026.
De acordo com a Abrafrigo, o Brasil deve ultrapassar 1,6 milhão de toneladas de carne bovina enviadas à China em 2025, mercado responsável por 55% das exportações de carne bovina in natura. A receita com vendas ao país asiático deve alcançar cerca de US$ 9 bilhões neste ano.
A entidade ressalta ainda que a medida ocorre em um momento sensível do setor, marcado pela transição do ciclo pecuário e redução da oferta, o que pode desestimular investimentos no campo e afetar emprego e renda em toda a cadeia produtiva.
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