Nova suspeita de fraude no Banco Master envolve fundos da Reag
O Banco Central encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) indícios de uma nova fraude no Banco Master, que pode chegar a R$ 11,5 bilhões. Segundo informações reveladas pelo comentarista Valdo Cruz, da GloboNews, os recursos teriam sido movimentados por meio de fundos administrados pela Reag DTVM, empresa já investigada pela Polícia Federal na operação Carbono Oculto, que apura conexões entre o setor de combustíveis e o crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com documentos enviados pelo BC, os fundos da Reag teriam sido usados para sustentar artificialmente o capital do Banco Master nos últimos meses de 2025. O esquema descrito pelos técnicos funcionava em cadeia: o banco concedia empréstimos a empresas, que aplicavam os valores em fundos; esses fundos compravam ativos de baixíssima liquidez, superavaliados em até dez vezes o valor real. Assim, títulos que valiam R$ 100 eram registrados como se custasse R$ 1.000, inflando o patrimônio e mascarando a real situação financeira da instituição.
As investigações apontam que empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro ou a pessoas de sua confiança participavam dessas operações, utilizando os fundos da Reag como intermediários. O Banco Central destacou que, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Master realizou operações estruturadas de crédito corporativo que somaram R$ 11,5 bilhões, sem respeitar critérios básicos de seletividade, liquidez e diversificação de riscos.
Outro ponto levantado pelo BC é que as garantias dessas operações estavam vinculadas a fundos de investimento, como o Bravo 95, que deveriam funcionar como instrumentos de liquidez. No entanto, os ativos eram superavaliados de forma proposital, permitindo que o banco justificasse aportes de capital exigidos pelo regulador. Para os técnicos, essa prática foi deliberada, com o objetivo de evitar que os títulos fossem ajustados ao seu valor real.
Em resposta ao Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central explicou que a liquidação do Banco Master foi determinada após o esgotamento de alternativas de mercado e diante da constatação de irregularidades graves que comprometiam a solvência do conglomerado. O órgão destacou a “crítica situação econômico-financeira” da instituição, incapaz de honrar suas obrigações, além da identificação de crimes que afetavam o valor dos ativos.
Até o momento, nem o Banco Master nem o empresário Daniel Vorcaro se pronunciaram sobre os novos indícios de fraude relatados ao Ministério Público. O caso segue em investigação e deve aprofundar a análise sobre a relação entre o banco, os fundos da Reag e possíveis conexões com organizações criminosas.
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