A presidente da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), Deumeires Batista, criticou o reajuste de 0,37% do piso nacional do magistério para 2026 . A manifestação ocorre após a publicação das portarias do governo federal que confirmaram aumento de 8,54% no Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), que financia a educação no país. As normas, divulgadas no DOU (Diário Oficial da União), definem os valores de referência por aluno usados para calcular o volume de recursos destinados às redes estaduais e municipais de ensino. Em Mato Grosso do Sul, o indicador do ensino fundamental em período parcial teve reajuste e passou a influenciar diretamente o planejamento financeiro da educação e a remuneração dos profissionais. Para a presidente da Fetems, o crescimento do fundo representa avanço no financiamento da educação pública, mas não se traduz em valorização salarial. “Houve uma publicação do aumento do fundo em 8,54%, o que impacta positivamente os investimentos na educação. Em relação ao reajuste do piso salarial que foi fixado em 0,37% não oferece ganho real”, afirmou. Deumeires destacou ao Campo Grande News que o percentual aplicado ao piso segue o cálculo previsto na Lei 11.738/2008, mas avalia que o índice ficou abaixo do necessário diante do aumento dos recursos do Fundeb. Segundo ela, o descompasso reforça a insatisfação da categoria com a política de valorização do magistério. A dirigente informou ainda que a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) solicitou reunião com o ministro da Educação, Camilo Santana. “A CNTE solicitou uma agenda com o ministro da Educação, Camilo Santana, para buscar alternativas para reverter o baixo percentual”, disse. Por fim, a entidade firma que continuará acompanhando o tema e cobrando mudanças no índice de reajuste do piso nacional, "[...] com o objetivo de alinhar o crescimento do financiamento da educação à remuneração dos profissionais da rede pública". Entenda - O valor usado pelo Fundeb para calcular quanto dinheiro entra na educação pública em Mato Grosso do Sul terá reajuste de 2,7% no próximo ano, chegando ao valor parcial de R$ 7.241,41 no Estado. Os números servem como base para calcular o volume de recursos que abastece a rede estadual e as redes municipais de ensino. Apesar da expressão “valor por aluno”, o dinheiro não é repassado individualmente. O indicador funciona como uma régua usada pelo governo federal para distribuir os recursos do fundo conforme o número de matrículas e o tipo de ensino ofertado. O mesmo indicador usado hoje no estado é de R$ 7.049,57 por aluno. A diferença entre os dois valores é de R$ 191,84, o que representa um reajuste aproximado de 2,7%. Na prática, isso mostra que houve aumento no financiamento por aluno em Mato Grosso do Sul, embora de forma gradual, sem mudança expressiva no patamar de recursos.