Goiás enfrenta pior cenário de seca no Centro-Oeste e 2026 preocupa especialistas
Goiás viveu seu quadro mais severo de seca nos meses de outubro e novembro de 2025 desde o fim de 2024, com aumento da classificação de seca grave. Com isso, o Estado configurou como o mais crítico do fenômeno em todo o Centro-Oeste. A seca em solo chegou a atingir 100% da extensão do seu território, segundo dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
A situação de seca na totalidade da extensão territorial também foi sentida em oito estados. Durante os os dois meses citados, a seca avançou em quase todos os estados brasileiros, passando de 59% para 68% do território nacional e atingindo uma área de 5,7 milhões de quilômetros quadrados.
Segundo o relatório, o aumento representa um agravamento do fenômeno em 19 estados no mês de novembro, sobretudo nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste, que apresentaram índices graves de estiagem. O principal fator apontado é a redução dos volumes de chuva nessas áreas.
De acordo com o climatologista Diego Tarley, a diminuição das chuvas é um fator recorrente, influenciado por variações naturais na precipitação, como ocorreu nos dois meses analisados em Goiás. “Existem anos com chuvas acima da média e outros abaixo da média. O mesmo acontece quando analisamos meses específicos, que podem registrar volumes superiores ou inferiores ao esperado”, explica.
No entanto, Tarley alerta que o contexto das mudanças climáticas tem intensificado a frequência e a severidade de eventos extremos, como secas prolongadas durante a estiagem e inundações associadas a tempestades intensas.
Segundo o climatologista, Goiás enfrentou três meses consecutivos de chuvas abaixo da média justamente no período de recarga hidrológica de rios e lençóis freáticos. “De maneira geral, a tendência observada é de aumento na intensidade das chuvas, porém com redução no volume total das precipitações”, afirma.
Impactos
A irregularidade e a diminuição das chuvas, conforme Tarley, impactam diretamente o calendário agrícola, reduzem os níveis dos reservatórios de energia elétrica e colocam em risco a captação de água para consumo humano.
Diego Tarley também enfatiza a necessidade de preservação de nascentes e das Áreas de Preservação Permanente (APPs). Segundo ele, a supressão da vegetação e a expansão da pavimentação urbana comprometem o ciclo hidrológico. “Sem vegetação e com o solo impermeabilizado, a água escoa ou evapora, em vez de infiltrar e alimentar os mananciais”, conclui.
Na mesma linha, o gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, alerta para um cenário preocupante em 2026. Segundo ele, há indicativos de que a estiagem pode ser mais agressiva, com modelos apontando para um encerramento precoce do período chuvoso, possivelmente já em abril, caso os mananciais não recebam carga adequada nos próximos meses.
Somado à baixa recarga dos mananciais, Amorim destaca o risco de crises hídricas e do aumento do material combustível para queimadas. “A tendência atual indica que deve chover, mas não o suficiente para recarregar o solo. Isso pode gerar sérios problemas ao longo do ano, já que a vegetação ficará mais seca, aumentando o risco de incêndios, além da redução no volume de água dos mananciais, o que pode resultar em crise hídrica”, avalia.
Monitoramento em Goiás
Por outro lado, o gerente reforça que o Cimehgo mantém monitoramento constante por meio de sensores fluviométricos, o que permite acompanhar de forma contínua a situação hídrica do estado. “Estamos realizando um monitoramento permanente e eficaz para subsidiar o diagnóstico do próximo período de estiagem”, afirma.
Para ambos os especialistas, a gestão dos recursos hídricos em 2026 será fundamental para reduzir os impactos da estiagem, especialmente nos centros urbanos. Entre as medidas apontadas estão políticas de conscientização sobre o uso racional da água.
Leia também: Família garante devolução total de passagens aéreas promocionais após cancelamento por problema de saúde; entenda
O post Goiás enfrenta pior cenário de seca no Centro-Oeste e 2026 preocupa especialistas apareceu primeiro em Jornal Opção.
