Na barraca da bióloga Lívia Lopes, as “capixinhas de mandioca” e os capibes não param de sair. É só fritar que eles desaparecem da pequena estufa. Moldados à mão por ela e o marido, as coxinhas e quibes em formato de capivaras têm feito sucesso nas feiras livres de Campo Grande. A ideia nasceu em maio de 2025, mas só agora tem chamado a atenção de crianças e adultos. O recheio é o tradicional, carne e frango cremoso. A ideia é que mais sabores sejam lançados no futuro, entre eles o pantaneiro, com carne seca e banana-da-terra, e o de queijo. Além das iguarias em formato das amadas “capis”, também tem o capitel, com recheio de carne e queijo. A ideia foi inspirada em empresas de Curitiba que já fazem a capixinha, mas ela inovou criando o capibe e trouxe para a receita que já existia a mandioca, porque a regra é clara: em Mato Grosso do Sul tem que ser de mandioca. “Fomos fazendo os testes e depois tivemos que aprender a modelar as capivaras. A gente treinou fazendo com massinha de modelar. Cada sabor a capivara vai estar diferente. Já fizemos uma de boné, que é a pantaneira, mas é mais demorada.” Aos 46 anos, Lívia e o marido, Danilo Lopes, se jogaram de cabeça no empreendimento e as apostas têm dado certo. Danilo não largou a profissão, continua dando aulas de música, mas aos finais de semana assume o comando da fritadeira. No início foi complicado. O ponto da massa precisou ser estudado pelo casal para dar certo, porque a capivara não poderia desmontar ou abrir durante a fritura. Mas isso agora é fácil para eles, que vendem, em média, 150 capixinhas e capibes. Por lá, eles saem a R$ 12 e o capitel a R$ 15. Para Lívia, a cozinha trouxe o prazer que o mercado formal não dava. Há anos fora da biologia, ela deu de cara com o medo quando tentou voltar para a profissão que tinha abandonado. Por isso, resolveu abrir mão e se dedicar a algo que a fizesse feliz. Foi aí que a cozinha entrou para ficar. “Eu não fazia nada antes. Estava com receio de voltar para o mercado pela minha idade. Então fui fazer algo que me desse prazer. Sempre amei cozinhar e pensei em algo diferente. Todo mundo faz coxinha, quibe e pastel, e a gente queria algo diferente mesmo.”