Vladimir Dinarti Domingues não tem vergonha de dançar. Aos 55 anos, ele é conhecido nas festas como o "Robozinho do Flashback". O apelido veio do jeito único de se mexer nas pistas, uma paixão que começou cedo, aos 12 anos. De dia, ele trabalha como borracheiro na Vila Almeida, mas à noite se joga nas músicas de época. Muitos já até o julgaram pela maneira que se move, mas ele não liga, para ele o importante é estar ali. Desde criança Vladimir já escapava de casa, escondido da mãe, para frequentar as discotecas e festas de colégio em Campo Grande. O plano original era ser cantor. Aos 20 e poucos anos, chegou a comprar teclados e violão para tentar a sorte na música, mas não aprendeu a tocar e decidiu deixar para lá. Se não deu para cantar, ele resolveu dançar, conta. A desenvoltura na pista, porém, é o oposto da rotina pesada que ele leva há 38 anos. De segunda a sábado, o cenário de Vladimir é graxa e o esforço físico para consertar pneus de bicicleta, moto e carro. O serviço de reparo custa R$ 25. No local, ele também vende pneus usados, que saem entre R$80 e R$100. A profissão ele aprendeu aos 16 anos, em Londrina, no Paraná. Foi trabalhar com um tio que havia montado uma borracharia e, desde então, nunca mais parou. Paulistano, Vladimir viveu entre São Paulo e o Paraná até vir para Mato Grosso do Sul. "Nasci em Tucuruvi, com 2 anos fui para o paraná depois pra cá com 12 anos. Com 16 voltei pra lá foi ai que aprendi a trabalhar com borracharia e to até hoje. Eu gosto disso, é tranquilo. Vou me mudar para a quadra de baixa ainda neste mês. O pessoal vem muito atrás de reparo de paneu. Só mexo assim,, não é oficina". Mesmo com quase quatro décadas de trabalho braçal, ele diz que não se arrepende de ter seguido a profissão. Para ele, a vida se divide entre a seriedade dos pneus durante o dia e a liberdade de ser o "Robozinho" quando o flashback começa a tocar.