Família de Mato Grosso do Sul, que fazia uma excursão pela América do Sul, acabou retida em La Paz, na Bolívia, devido aos protestos que ocorrem no país desde terça-feira (6). Com as manifestações, houve aumento no valor das diárias em hotéis e hostels, o que tem afetado turistas que não conseguem seguir viagem. O grupo tem como destino final Machu Picchu, no Peru, mas as rodovias seguem bloqueadas em protesto após a retirada do subsídio dos combustíveis no país. O dentista Wésner Vargas, de 38 anos, contou ao Campo Grande News que ele, a mãe, o irmão e a cunhada embarcaram em uma excursão de ônibus para conhecer países vizinhos. Durante o percurso, passaram por Paraguai, Argentina e Bolívia, com previsão de chegada ao Peru na última quarta-feira (7). O plano, no entanto, foi interrompido assim que chegaram a La Paz, ainda na terça-feira, mesmo dia em que os bloqueios nas rodovias tiveram início. “Nós estávamos com a expectativa muito alta. Seria nossa primeira vez no Peru e, do jeito que está, pode acabar sendo a primeira e a última, por causa de todo esse estresse”, relatou. Com as estradas interditadas, o grupo precisou permanecer na capital boliviana por mais tempo do que o previsto. Segundo Wésner, houve aumento generalizado nos preços. “Estamos pagando 280 bolivianos pela diária do hostel. Viemos em uma excursão que saiu de Assunção, e a empresa até tentou rotas alternativas para conseguirmos sair, mas está tudo bloqueado”, explicou. Como o trajeto é feito integralmente por rodovias, Wésner avalia que o único alívio foi ter conseguido chegar a La Paz antes do agravamento da situação. “Acho que acabou sendo um livramento, porque se tivéssemos saído daqui, poderíamos ter ficado parados no meio da estrada”, disse. Na tarde de quinta-feira (8), o Campo Grande News também mostrou a situação de um grupo de sul-mato-grossenses que tenta fazer o caminho inverso. Eles saíram de Cusco, no Peru, e tentam chegar ao departamento de La Paz, mas estão há mais de 48 horas retidos na estrada. Na manhã desta sexta-feira, o grupo decidiu atravessar um dos bloqueios a pé para evitar permanecer na rodovia. “Estamos em Tiwanaku, almoçamos e vamos tentar seguir para La Paz à noite”, contou Janaína. Até o momento, o grupo percorreu cerca de 13 quilômetros caminhando e ainda tem aproximadamente 65,7 quilômetros pela frente, o equivalente a cerca de 15 horas de caminhada. Conforme o portal boliviano Unitel, havia 52 bloqueios registrados na tarde desta sexta-feira. Por volta das 17h, teve início uma nova plenária para discutir possíveis alterações no decreto 5503, que determinou o fim do subsídio aos combustíveis vigente há cerca de 20 anos no país. A medida também proibiu novas contratações no serviço público e estabeleceu a livre negociação entre patrões e trabalhadores. As manifestações começaram em 22 de dezembro.