Mato Grosso do Sul acompanha a tendência nacional de crescimento dos afastamentos por burnout, síndrome ligada ao esgotamento no trabalho, ainda que em escala menor que a média do país. Dados do Ministério da Previdência Social, mostram que o número de benefícios concedidos no Estado por esse motivo quadruplicou em quatro anos e se aproximou do total de 2024 em apenas seis meses de 2025. Segundo levantamento enviado pelo Ministério da Previdência Social ao Campo Grande News , em 2021 foram registrados 18 afastamentos em Mato Grosso do Sul classificados na CID (Classificação Internacional de Doenças) Z73, código que reúne problemas relacionados à organização do modo de vida e que inclui a síndrome de esgotamento. Em 2022, o número caiu para 15, mas voltou a subir em 2023, com 27 registros. O salto ocorre a partir de 2024, quando os afastamentos chegaram a 72 casos. De janeiro a junho de 2025, foram 59 concessões, o equivalente a 82% de todo o volume do ano anterior. No cenário nacional, o crescimento é ainda mais acentuado. Os afastamentos por burnout saltaram de 823 casos em 2021 para 4.880 em 2024, alta de 493% em quatro anos. Apenas no primeiro semestre de 2025, o país contabilizou 3.494 benefícios concedidos, o que representa mais de 70% do total registrado em todo o ano passado. De acordo com especialistas ouvidos pela Folha de S. Paulo, apesar do avanço, os próprios dados indicam que os números podem estar subnotificados. O burnout não possui um código exclusivo na Classificação Internacional de Doenças e, no Brasil, é enquadrado em uma categoria ampla que também pode abranger outros problemas relacionados ao modo de vida. Além disso, muitos trabalhadores acabam afastados por diagnósticos como ansiedade ou depressão, sem que o esgotamento profissional seja formalmente reconhecido como causa principal. Outro fator que limita a dimensão real do problema é a informalidade. Trabalhadores sem contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ficam fora das estatísticas da Previdência, mesmo quando apresentam sintomas graves de adoecimento mental ligados ao trabalho. O crescimento dos afastamentos tem impacto direto nas contas públicas. Em nível nacional, as despesas com auxílios por incapacidade temporária relacionados à saúde mental passaram de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024, alta de 68%, ritmo superior ao crescimento geral dos gastos da Previdência no período. Além da pressão financeira, o aumento dos casos acendeu um alerta no governo federal. Desde 2023, o burnout é reconhecido formalmente como doença ocupacional, o que garante ao trabalhador afastado estabilidade no emprego por 12 meses após o retorno e manutenção dos depósitos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), durante o período de afastamento. Multas - Em 2024, o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) passou a exigir que empresas mapeiem riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como excesso de jornada, pressão por metas e ausência de pausas. A aplicação de multas para quem descumprir a norma, no entanto, foi adiada após pressão do setor empresarial e está prevista para começar apenas em maio deste ano.