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Estudo mapeia 2,2 mil rotas para aumentar exportações de Mato Grosso do Sul

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Em meio ao avanço do protecionismo global, liderado pelos Estados Unidos e, mais recentemente, pelas cotas adotadas pela China para a carne bovina, um estudo da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) aponta um amplo leque de oportunidades tradicionais de exportação para Mato Grosso do Sul. Ao todo, foram identificadas 2.237 oportunidades, distribuídas em 48 setores e 76 produtos, com alcance potencial em 196 países. Conforme o estudo ao qual o Campo Grande News teve acesso, os setores mapeados responderam por cerca de US$ 10,1 bilhões em exportações em 2023, evidenciando o peso da pauta externa sul-mato-grossense. O levantamento ressalta que esse valor é inferior ao total exportado pelo estado, pois considera apenas os cruzamentos englobados no método de oportunidades referidas.  O estudo com um recorte para Mato Grosso do Sul traça um panorama geral da economia local, identificando o potencial exportador a partir da análise das exportações de bens e do perfil dos investimentos estrangeiros diretos no estado. Os mercados com maior número de oportunidades concentram-se, na América do Sul, em países como Chile, Uruguai, Paraguai, Peru, Argentina e Colômbia; na América do Norte, em Estados Unidos e Canadá; e, na Europa, em Espanha, Reino Unido e Portugal. Acordo União Europeia-Mercosul -   O levantamento da ApexBrasil foi realizado às vésperas da aprovação do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), em uma demonstração de preocupação do órgão federal em buscar novas oportunidades de negócios para os estados brasileiros e diversificar a pauta de exportação. Em meio à sequência de notícias positivas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a preocupar o agronegócio brasileiro ao ameaçar taxar em 25% os países que mantêm relações comerciais com o Irã – destino de quase US$ 3 bilhões em exportações agrícolas brasileiras em 2025, principalmente milho. O temor é de uma reedição do tarifaço aplicado a alguns produtos brasileiros. Outro receio partiu da China na virada do ano. Em 31 de dezembro de 2025, o país anunciou uma tarifa adicional de 55% sobre as importações globais de carne bovina, com forte impacto no Brasil. A medida, em vigor desde 1º de janeiro e com duração prevista de três anos, estabelece uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. As exportações que ultrapassarem esse limite pagarão sobretaxa de 55%. Oportunidades setoriais - A lista dos 48 setores com oportunidades de negócios no exterior, conforme o estudo da ApexBrasil, considerando o valor exportado, é liderada por soja, celulose, milho e carne bovina, seguidos por açúcares, melaços e farelos de soja. Já em número de oportunidades, destacam-se “outras carnes e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas” (240), farelos de soja e outros alimentos para animais (188), carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (184) e matérias brutas de animais (171). Tendências -  O estudo aponta, contudo, que a tendência é de aprofundamento das relações comerciais com China, Estados Unidos e Espanha, destinos já relevantes na pauta de Mato Grosso do Sul e também mapeados como oportunidade para os principais produtos do estado. No caso da China, o país segue como principal demandante do complexo soja e da celulose. Os Estados Unidos aparecem com maior densidade de oportunidades para carne bovina, madeira (celulose) e minérios/ligas. Já a Espanha figura entre os destinos relevantes de soja, celulose, açúcares e melaços. “A combinação de produto e destino, que relaciona produtos nos quais o Mato Grosso do Sul tem capacidade de oferta com parceiros que apresentam demanda consistente e recorrente, reforça ganhos de escala e viabiliza contratos de longo prazo, com destaque para soja/grãos, celulose e proteínas”, destaca o estudo. O levantamento analisou ainda a distribuição geográfica das exportações do estado e chama atenção para a forte concentração das vendas externas para a China, que respondeu por 45,4% do total exportado em 2024. As vendas ao país asiático registraram crescimento médio anual de 16,1% entre 2019 e 2024. Na sequência aparecem os Estados Unidos, com 6,7% de participação, e os Países Baixos, com 4,9%. A pauta exportadora, conforme o levantamento, apresenta elevado grau de concentração (acima de 1.800), segundo o HHI (Índice Herfindahl-Hirschman). Os dez maiores parceiros concentraram 72,3% das vendas externas em 2024. Tendência de ampliação de investimentos  -   O levantamento mapeou os setores com maior capacidade de atração de investimentos em Mato Grosso do Sul, apontando tendência na infraestrutura para aumentar a competitividade dos produtos locais. Os dados levam em consideração aportes realizados entre 2022 e 2024. O setor de transporte, carga e armazenamento, que concentra 3,8% dos investimentos nacionais (US$ 920,3 milhões), responde por 4,6% do emprego estadual – gargalos críticos para grãos, celulose e proteínas. Quanto à origem do capital nesses setores com maior potencial de atração, destacam-se Espanha, Itália, Estados Unidos e Alemanha. O economista Daniel Massen Frainer, professor da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, analisou o estudo da ApexBrasil e o classificou como extremamente positivo. Para ele, os dados funcionam como um termômetro do comércio exterior do estado entre 2025 e 2026, diante do avanço do acordo entre União Europeia e Mercosul e do cenário de protecionismo global. Embora as decisões de Trump tenham provocado desorganização no comércio internacional, o Brasil vem se beneficiando desse cenário ao reorganizar parcerias e reduzir a dependência do mercado norte-americano, movimento também observado no bloco europeu, segundo avalia. “O Brasil passa a não contar mais tanto com os Estados Unidos, e os países da Europa também começam a verificar outras possibilidades de comércio por conta das tarifas”, afirma. Na avaliação do especialista, as instabilidades geradas por Trump acabam contribuindo para que o Brasil reduza sua dependência externa dos EUA. “Nós não ficamos mais esperando que venham coisas boas dos Estados Unidos, e isso contribui para que nossos exportadores procurem outros parceiros que tenham a preocupação de manter a bilateralidade ou a multilateralidade no comércio internacional.”  






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