Comurg entra em nova fase e mira contratos com a Equatorial, Governo de Goiás e grandes geradores
O prefeito Sandro Mabel (UB) anunciou nesta sexta-feira, 16, os próximos passos da reestruturação da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). Após uma primeira etapa voltada aos ajustes internos, o foco passa a ser a ampliação da atuação da empresa e a busca por novos mercados, inclusive fora da capital. Nesta fase de modernização e expansão, o objetivo é tornar a companhia pública financeiramente sustentável e lucrativa para os cofres do município.
Segundo o prefeito de Goiânia, o novo momento da empresa pública representa uma ruptura com o modelo adotado nas últimas décadas. “Nós fomos às ruas, identificamos o que precisava ser mudado e começamos a agir. Contratamos assessoria técnica, contábil, jurídica e de indenizações. Hoje, a Comurg é uma nova companhia, ainda não chegou onde queremos, mas já cumpriu uma primeira fase importante”, pontou.
Entre as principais medidas, Mabel citou a redução de custos com pessoal e a reorganização da estrutura administrativa. Segundo ele, a empresa saiu de nove para quatro diretores, reduziu os cargos de liderança de 639 para 217 e promoveu o desligamento de 1.187 servidores. “Pegamos uma folha de pagamento de R$ 41 milhões em dezembro de 2024 e reduzimos para R$ 27 milhões em dezembro de 2025”, afirmou.
Além disso, houve corte significativo nos custos operacionais, como locação de máquinas, equipamentos, manutenção de veículos e serviços. “Os custos operacionais somavam R$ 189 milhões, o que dá cerca de R$ 500 milhões por ano. Ainda temos quase R$ 20 milhões mensais que estão sendo ajustados”, explicou.
Conforme o prefeito, a primeira fase concluída em 2025 ficou nos ajustes internos, reorganização administrativa e modernização operacional. A respeito das dívidas da companhia, ele cita que o valor de aproximadamente R$ 2,4 bilhões reduziu para R$ 366 milhões, com parcelamentos de três a dez anos dos valores.
“Agora começa uma fase mais profunda, com investimentos em mecanização, tecnologia da informação e melhoria da comunicação, que estava muito atrasada. Criamos veículos próprios e investimos onde era necessário”, disse o prefeito. Como exemplo, ele afirmou que a Comurg já está em fase de prospecção e fechamento de novos contratos com a Equatorial Energia, a Secretaria de Estado da Administração (Sead), as Centrais de Abastecimento de Goiás (Ceasa/GO) e outros grandes geradores.
“Estamos tentando trabalhar para a Equatorial, fazendo poda e manejo de árvores. O objetivo é evitar esse assassinato de árvores que está sendo feito hoje. A Comurg tem condição técnica de fazer esse serviço de forma correta”, afirmou Mabel, que aproveitou para criticar as podas preventivas em árvores próximas à rede elétrica realizadas pela concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica em Goiás.
Dentro dos próximos passos, Mabel afirmou que a Comurg será preparada para ampliar sua atuação e buscar novos mercados. “A empresa começa a trabalhar fora de Goiânia, amplia a carteira de clientes e passa a operar com uma nova governança corporativa. Estamos preparando a Comurg para o futuro”, concluiu.
Questionado sobre a possibilidade de liquidação da Comurg, o presidente Cleber Aparecido Santos afirmou que o tema está totalmente descartado pela atual gestão. Segundo ele, o futuro da companhia é de crescimento, com ampliação da oferta de serviços, conquista de novos clientes e atuação em outros mercados. “Não se fala mais nisso. O futuro é crescer, vender mais serviços para outros clientes e atuar em novos mercados”, pontuou.
Gestão de pessoal
Mabel afirmou ainda que a Comurg adotará um novo formato de contratação, baseado exclusivamente na demanda real de serviços. “Agora a quantidade de pessoas será de acordo com a quantidade de serviço, e acabou essa história de contratar sem necessidade. Vamos pegar um trabalho, calcular quanto ele fatura e quanto custa. Se cobre o custo, a Comurg executa. Terminou o contrato, acabou o serviço, o pessoal é desligado”, explicou.
Questão trabalhista
No âmbito trabalhista, Mabel afirmou que a gestão conseguiu avanços junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT). “Tínhamos um passivo de R$ 96 milhões, que foi reduzido para R$ 7 milhões. Isso só foi possível porque o MPT viu que a empresa mudou, que está investindo corretamente, inclusive em coleta seletiva e compra de caminhões”, disse.
As ações trabalhistas também apresentaram queda expressiva, segundo o prefeito. Segundo Mabel, o passivo nessa área caiu de R$ 602 milhões para R$ 269 milhões, com expectativa de redução para pouco mais de R$ 100 milhões. Já as ações cíveis, que somavam R$ 333 milhões, devem encerrar em torno de R$ 49 milhões.
O prefeito ressaltou ainda a reestruturação completa do corpo jurídico da empresa. Ele citou a redução de 43 para 18 profissionais e implantação de um sistema de informação para gestão de dados jurídicos. “Era um setor inchado, com processos sem documentação e ações coletivas sem fundamento. Isso acabou. Hoje temos controle, sistemas de gestão e governança”, afirmou.
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