Wellington Bessa: “Temos condições de fazer um ano de 2026 muito melhor do que foi o ano passado, porque hoje temos outra realidade em Goiânia”
Natural de São Francisco de Goiás, Wellington Bessa deu início à trajetória profissional aos 16 anos, quando foi aprendiz na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). Ao longo dos seus 41 anos, ele se graduou em Direito, se especializou em Direito do Trabalho, fez mestrado em Direito, Relações Internacionais e Desenvolvimento e se tornou docente do curso na universidade que se formou. Atualmente, Bessa é casado e pai de João Francisco, de 2 anos e 11 meses, e da recém-chegada Maria Júlia, que fez com que os pais passassem a virada do ano no hospital.
Os primeiros flertes com a política tiveram início em 2019, quando assumiu a Superintendência do Procon Goiás. No ano seguinte, foi eleito vereador com 3.370 votos pelo Democracia Cristã (DC) sendo, posteriormente, convidado para ser secretário de Educação da capital. Ao longo do seu trabalho na pasta, Goiânia saltou do 9º para 1º no IDEB nos anos iniciais, além de outros feitos como ampliação no número de escolas em tempo integral e a retomada de obras de creches que estavam paralisadas. Bessa saiu da secretaria e retornou ao parlamento, posição que se mantém até hoje, após ser reeleito com 6.123 votos nas eleições municipais de 2024. nove meses de mandato, ele assumiu um novo desafio: ser líder de Sandro Mabel (UB) na Câmara dos Vereadores.
Nesta entrevista ao Jornal Opção, Bessa elencou os desafios enfrentados para restabelecer a base do prefeito na Casa, que passou por vários atritos ao longo de 2025. O vereador afirma que tem utilizado da visão técnica para sanar dúvidas e evitar ruídos de comunicação sobre os projetos de interesse do Executivo aprovados na Casa, que tendem a ser espinhosos para a sociedade, como a Taxa do Lixo.
Essa, inclusive, chegou a ser revogada antes do recesso, mas em um cenário em que não houve apresentação de uma receita substitutiva, algo que é exigido pela Legislação. Bessa destacou avanços em áreas como educação e limpeza pública, mas admitiu que ainda há muito a ser feito. Ele sinaliza que a população sentirá as mudanças na cidade a partir desse ano ao pontuar que a capital receberá “um grande volume de obras.”
Ton Paulo – O senhor se tornou líder do prefeito Sandro Mabel (UB) na Câmara Municipal em setembro do último ano e tinha um desafio muito grande nas mãos, que era reconstruir a base. Qual foi a maior dificuldade neste período?
Eu ingressei na política em 2020 e já tinha uma experiência como gestor, principalmente na área da educação, nas universidades nas quais eu trabalhei e no meu escritório, prestando assessoria para várias empresas de Goiás e fora do estado. Quando vi a possibilidade de se ter um gestor à frente do Executivo, fiquei muito feliz. Na época da eleição, apoiei o Sandro, estive na base dele, inclusive defendendo o que eu achava certo. Então, eu sempre fiz essa interlocução com ele, tendo como base defender aquilo em que eu acreditava efetivamente.
E recebi o convite neste momento. No início, conversei com ele, aleguei que estava com alguns projetos e agradeci o convite. Mas, cerca de duas semanas depois, a gente voltou a conversar e deu certo de eu assumir a liderança. Porque vi que, naquele momento, era necessário fazer uma configuração de base. E eu não falo apenas no aspecto de gestão por parte do prefeito, mas na gestão da cidade como um todo.
O município sofre muito quando nós não temos um Executivo devidamente alinhado com o Legislativo. Naquele momento em que assumi, eu sabia que a maior dificuldade era fazer essa composição de base, mas via que, durante as interlocuções, os vereadores precisavam de um cuidado, e não falo da pessoa física, mas das demandas que eles anseiam para as suas regiões, os segmentos que eles defendem. Eles precisam dar respostas à sociedade.
Então, os desafios maiores foram promover essa montagem de base e a aprovação de projetos importantes. Eu sempre falo para os vereadores que precisamos olhar as propostas sob uma visão técnica. É essencial? É necessário para a cidade? Desse modo, é bom que a gente faça um diálogo para que haja a construção que culmine na sua aprovação. Nós não podemos entrar na discussão de projetos que são importantes, como é o caso da LOA (Lei Orçamentária Anual) e da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), e trazer teores políticos para o debate. Essa discussão precisa ser técnica.
Ton Paulo – E qual o saldo que o senhor tira desse trabalho? Como você avalia que será esse ano?
Acho que conseguimos criar esse vínculo de diálogo entre os vereadores para buscar resolver aquilo que também estava causando incômodo para eles e suas respectivas bases. Todo primeiro ano de gestão, para qualquer chefe do Executivo, é muito difícil.
Mas acho que nós temos condições de fazer um ano de 2026 muito melhor do que foi o ano passado, porque hoje temos uma outra realidade: Goiânia teve um superávit muito grande em 2025, e ele vai virar investimentos.
Nós tivemos, e isso é visível, uma melhora na área de limpeza pública, que eu vejo que sempre é um problema em determinado momento da gestão de qualquer prefeito. É um gargalo muito antigo de Goiânia. Também evoluímos na educação, principalmente no que tange à infraestrutura das unidades. Eu tenho o privilégio de dizer que essa realidade mudou em 2021, quando nós levamos a descentralização de recursos para as unidades educacionais. Ou seja, tirar a gestão de recursos diretamente do secretário e levar para o chão da escola.
Desse modo, o diretor tem condições de atuar e buscar resultados de maneira mais rápida. Em 2025, as unidades de educação da capital receberam um volume recorde de recursos. Tivemos melhorias na área da saúde. Então, o esforço que foi feito por parte do prefeito e da Câmara Municipal passa a ter resultados mais visíveis e claros à população neste ano.
Ton Paulo – Durante a composição do secretariado de Mabel, apuramos que o seu nome foi cotado para ocupar a Secretaria de Educação. Houve, de fato, esse convite?
Não exatamente. Sandro e eu conversávamos muito na época da campanha, especialmente sobre educação, por conta da minha experiência lá. Para se ter uma ideia, quando assumi, em 2021, Goiânia estava em 10º lugar no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Eu saí da pasta em 2023 e deixei Goiânia em primeiro lugar. Tive bons parceiros de gestão na área da educação, que foram os diretores de escolas, coordenadores, os regionais.
Nós tivemos um bom diálogo e eu consegui, nas áreas mais nevrálgicas da educação, melhorias significativas. Vou citar três: a parte da rede física das unidades — ela não funciona sem estar bem reformada, com ar-condicionado, levando um conforto térmico aos servidores, uma cozinha bem estruturada. O segundo ponto é a valorização do servidor. Assumi a pasta com duas datas-base atrasadas e a rede não tinha nenhuma bonificação por resultado em educação.
Quando pagamos um bônus em 2022, o primeiro lugar no IDEB veio no ano seguinte. E o terceiro pilar é a parte pedagógica. Nós fizemos uma reformulação nessa parte, promovendo o fim da política de ciclo, pois, até 2021, o aluno não tinha nota. Ao fim do ano letivo, os pais recebiam um comunicado falando do desempenho dele, mas de maneira subjetiva. Nós acabamos com isso e fizemos uma interlocução melhor entre as fases da educação.
Então, mesmo um ano e meio fora da gestão, passei para o Sandro um panorama sobre a educação: quais eram as dificuldades e onde precisava de investimento. Apesar de muitas conversas, não houve tratativa, nesse sentido, de assumir a cadeira, mas só de contribuir com a secretaria para que a educação possa avançar, até porque, naquele momento, e até hoje, eu não tenho mais essa pretensão. Eu acho que meu trabalho foi feito e minha contribuição foi dada, com os resultados devidamente apresentados.
João Paulo Alexandre – Na Educação, houve a repercussão, no último ano, de queixas de pais e professores sobre superlotação de Cmeis e escolas municipais para zerar a fila de espera por vagas, ao mesmo tempo em que vimos o fechamento de unidades, como o Cmei Orlando Alves Carneiro, em Campinas, sob a justificativa de uma estrutura inadequada para as crianças, mas sem a apresentação de uma nova unidade, neste caso. O senhor, que esteve à frente da pasta, acha que essas medidas tomadas pelo Mabel foram corretas? Em que ele ainda precisa melhorar?
Foram discutidos alguns temas que, na verdade, não ocorreram exatamente como alguns pais ou servidores pregaram. A questão do fechamento de unidades, por exemplo: Goiânia passou por uma mudança. Hoje nós temos 380 Cmeis na rede e é normal que haja um remanejamento ou adequação de uma unidade para outra, principalmente quando falamos em um bairro antigo como Campinas, onde não se tem área para construir ou prédio para alugar e comportar devidamente essas crianças e servidores. Todos os alunos do Cmei Orlando Alves Carneiro foram realocados em outra unidade até que fosse encontrado outro lugar adequado para essa finalidade.
Eu cheguei a fazer uma licitação em 2021 e 2022 para a construção de uma nova unidade em um espaço onde funcionava uma oficina no bairro. A ideia era sair do Orlando Alves Carneiro, pois, quando eu assumi, o contrato tinha sido renovado recentemente. E estamos falando de uma edificação que conta com três lances de escada, sendo elas de 90 centímetros de largura, o que é vetado por normas técnicas, além da cozinha ficar no último andar. Eu me assustei quando vi aquela unidade e tinha que encontrar uma solução urgente, pois as nossas crianças e servidores estavam expostas a riscos.
Em situação semelhante está o Cmei Santos Dumont. Aqui na capital, são cerca de 40 unidades infantis feitas de placa, com salas de até 18 metros quadrados. Eram prédios que a SME recebeu em 1996, quando o ensino infantil ficava sob responsabilidade da Assistência Social. O Cmei Santos Dumont precisa de uma grande reforma, mas a narrativa, até mesmo utilizada pela oposição e por entidades sindicais, era de que a unidade está sendo fechada, e isso não é verdade.
Outra fake news veio da modernização da lei que trata das conveniadas, das Organizações Sociais (OS). Falaram que, por meio de uma emenda jabuti, foi criada a possibilidade de terceirizar a educação, e isso também não é verdade. A nossa legislação era de 2002 e ela estava travando processos, sendo que há uma lei federal de 2014 que autoriza uma gestão mais dinâmica. E eu desafiei meus colegas da Câmara a apresentarem qualquer unidade de Goiânia que teria sido repassada para uma OS. Por que o desafio? Porque isso nunca existiu. Entretanto, a narrativa incorporada era a de fechamento.
Esses remanejamentos são naturais dentro de qualquer cidade. De fato, unidades não podem ser fechadas; pelo contrário, mais devem ser abertas, até mesmo porque o número da população tem aumentado. A mudança e a necessidade social na área da Educação são constantes, e se deve investir em modernização, em ferramentas que possibilitem a gestão pública da área se equiparar ou ficar próxima à gestão privada. Goiânia tem que avançar.
Fabrício Vera – Houve um aumento significativo dos valores das emendas destinadas à Prefeitura de Goiânia. Em 2025, foram R$ 8 milhões e, no orçamento deste ano, consta pouco mais de R$ 21 milhões. Há recursos, inclusive, que vieram de membros da oposição. O senhor se configura como o que mais destinou emendas ao Executivo, chegando a quase R$ 4 milhões. O que mudou para que esse dinheiro passasse a ir mais para a Prefeitura do que para associações? E o que se pode melhorar para que esse índice aumente ainda mais, tendo em vista que a divisão atual concentra 90% dos recursos indo para o terceiro setor e apenas 10% para o Executivo?
O vereador faz a destinação da emenda impositiva objetivando a prestação de um serviço que vá atender a população, custeado pelo poder público. Ou seja, quando ele destina para uma associação, entende-se que haverá a prestação de um serviço público no segmento em que ela atua. Há entidades que existem há 50 anos e que recebem verba pública desde então. O terceiro setor é importante para o exercício da atividade de gestão pública na cidade. Às vezes, esse valor tem uma aplicação até mais séria do que a própria execução do Poder Público.
Vale destacar que os processos que tratavam sobre a destinação das emendas começaram a caminhar tardiamente porque a lei que regulamentou os repasses no ano passado foi aprovada no final de maio. Esses processos meio que ficaram em stand by até essa aprovação. Foi um período muito curto, e estamos falando de emendas de 35 vereadores, já que é referente ao exercício de 2024, mas que foram pagas no ano passado. Esses processos passam por um trâmite de apresentação de plano de trabalho, pela fiscalização da respectiva secretaria, que irá validar a documentação e a execução. Após isso, essa entidade terá que prestar contas para a Controladoria-Geral do Município, assim como para o Tribunal de Contas do Município. Mas é notório que essa destinação direta ao município tem aumentado, porque o parlamentar tem visto, de maneira mais clara, a possibilidade de execução por parte da Prefeitura.
Fabrício Vera – Uma estratégia que foi até elogiada pelos vereadores foi o cardápio de emendas, que consiste nas secretarias irem até os parlamentares e mostrarem os investimentos que poderão ser feitos com esse dinheiro. Medidas como essa podem auxiliar no aumento do repasse dessas emendas?
Claro. Essa organização por parte da Prefeitura, por meio das suas secretarias, facilita e auxilia os vereadores na destinação.
Eu vejo que o Executivo tem demonstrado uma capacidade de execução dessas emendas. Mas repito: as emendas cumprem um papel importante de democratização do investimento público. O vereador é representante dos munícipes de Goiânia.
Desse modo, a emenda, seja para uma entidade social, organização social ou diretamente para a Prefeitura, tem um papel muito importante para que atinja a base eleitoral do parlamentar e retorne em serviços para aqueles que o elegeram na confiança de fazer algo pelo setor, pela cidade ou por uma causa.
Contamos organizações que receberam emendas que cumprem um papel relevante para determinadas bandeiras, causas ou segmentos muito importantes. Seja num aspecto cultural, levando um evento para determinado bairro, seja na área da saúde, pois há pessoas que são carentes e não têm o discernimento do trâmite que elas têm que seguir para ter acesso a um óculos, um exame ou até mesmo a uma consulta médica.
Ton Paulo – O senhor desempenha dois papéis na Câmara: o de vereador eleito pelo povo e o de líder do governo. E algumas pautas que tendem a ser importantes para o Executivo, mas são impopulares. Um exemplo disso é a Taxa do Lixo. O senhor precisou defender a manutenção desse tributo. Nesse momento, acaba surgindo um conflito entre o representante do povo e o líder de governo? Você avalia que é o momento para se manter essa taxa?
A taxa foi criada em 2024 para atender à demanda de limpeza pública da cidade. Ela tem como objetivo custear um problema que não é desta gestão ou da passada. É de muitos anos. Ela foi aprovada pela maioria dos vereadores com o objetivo de fazer frente a essa despesa. Quando o projeto de revogação da taxa foi apresentado, ele não foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, por via de consequência, foi arquivado.
Acho que qualquer alteração no orçamento público deve ser tratada com muito cuidado, e eu estou falando pela parte técnica, pois a coletividade depende desse investimento. Quando o mesmo projeto foi para ser desarquivado, eu, juntamente com outros três vereadores, votei contra, assim como no plenário.
Eu não era líder de governo nessa época, já que o projeto foi desarquivado em agosto. Votei contra porque eu entendia que, naquele momento, o projeto de revogação era inconstitucional e entendia também que, para que a taxa fosse revogada, teria que haver um parecer técnico por parte da Secretaria da Fazenda.
Particularmente, enquanto advogado, professor de Direito e vereador, vejo que esse projeto é inconstitucional, porque ele foi elaborado por um vereador sem qualquer embasamento técnico e sem apresentar uma receita substitutiva, pois qualquer renúncia de receita depende da apresentação de uma nova fonte de recurso.
Ton Paulo – De qualquer forma, alguém sai desagradado nesta história. O ano de 2026 já começa com um novo atrito entre Executivo e Legislativo?
Não acredito nisso. Acho que esse tema será discutido e uma análise será feita, mas, obviamente, precisamos ouvir as razões do prefeito e dialogar com a Câmara. A Casa tem se mostrado muito madura; os vereadores são experimentados e têm referências nas suas respectivas áreas de atuação pretéritas. Nós temos um corpo muito qualificado para podermos avançar neste tema.
O que não pode acontecer é ficar em uma discussão rasa, que não trará resultado efetivo. Não podemos avançar na discussão de uma lei inconstitucional e fazer com que o processo administrativo se curve a essa inconstitucionalidade.
Ninguém gosta de pagar imposto, seja ele federal, estadual ou municipal, mas o fato de a gente não gostar ou até mesmo achar que o pagamento é injusto não nos dá o direito de ir revogando os tributos que já existem. E são esses impostos que fazem o custeio dos principais direitos sociais que nós temos, sejam eles na educação, na saúde, na infraestrutura, na limpeza pública, entre outros.
Cilas Gontijo – A LOA prevê uma arrecadação de R$ 10,8 bilhões pela Prefeitura neste ano. Quais as áreas prioritárias onde esses recursos serão aplicados?
Nós temos os percentuais obrigatórios, que são 25% da receita líquida para a Educação, que sempre atinge esse teto, e, no mínimo, 15% para a Saúde, que sempre tem ultrapassado os 20%.
Mas, pelo que eu vi, Goiânia vai receber um grande volume de obras na área de infraestrutura, especialmente por conta desse superávit. Estamos falando de duplicações, novo asfalto e infraestrutura em geral.
Cilas Gontijo – Cada vereador vai receber R$ 5 milhões de emendas impositivas. Esse recurso é indispensável? Há uma regra para a aplicação desse dinheiro? Como é feita a fiscalização da destinação desses recursos?
As emendas existem no âmbito federal, estadual e municipal e têm como frente os anseios da população, seja na saúde, na educação ou em outras áreas. Esse recurso é importante para que o parlamentar possa atender às suas bases, para que ele, além do trabalho de fiscalizador e de legislação, também tenha um DNA na execução daquele serviço.
Essas emendas são fiscalizadas. Uma vez aplicada, ela automaticamente passará pela Controladoria-Geral do Município, por meio de uma prestação de contas, e, logo em seguida, será analisada pelo Tribunal de Contas. Então, existe um controle, uma fiscalização sobre esse valor. As emendas são necessárias porque se trata de um investimento público. Sobre a destinação: é obrigatório que 50% vão para a saúde e os outros 50% sejam distribuídos em outras áreas.
João Paulo Alexandre – E como fica o pagamento desses valores, tendo em vista que estamos em ano eleitoral?
Acredito que, independentemente de ser um ano eleitoral, nós teremos condições de adiantar o processo para que ele seja muito mais célere do que foi no ano passado, já que a lei que tratou sobre os pagamentos foi aprovada apenas no fim de maio.
Imagino que, a partir de março, nós já teremos esse processo de maneira mais avançada para que elas possam ser executadas da melhor forma.
Fabrício Vera – Quando o senhor foi anunciado como líder do governo, Mabel também anunciou que haveria vice-líderes na Câmara, mas sem maiores definições desde então. Como estão essas conversas e como será a atuação desses nomes?
Nós teremos, sim. Esse último quadrimestre foi bastante corrido, pois precisamos acelerar os processos porque havia muitos projetos importantes para serem votados. Mas nós temos essa incumbência e vamos voltar ao trabalho na Câmara com os quatro vice-líderes apontados.
Atualmente, já há colegas que fazem esse trabalho, como é o caso do Pedro Azulão Jr. (MDB), entre outros, mas todos os nomes serão anunciados em breve.
Ton Paulo – Nos bastidores, fala-se na antecipação da eleição para a Mesa Diretora da Câmara, com alguns nomes que já têm demonstrado interesse. Houve até uma tentativa de que isso acontecesse no ano passado, mas sem sucesso. Como está essa situação hoje? O presidente da Câmara, Romário Policarpo (PRD), tem sinalizado interesse nessa antecipação?
Não vi nenhuma sinalização na Câmara a respeito dessa possível antecipação. É óbvio que, dos 37 vereadores que há na Casa, alguns já expõem essa vontade de pleitear a presidência, e eu acho muito justo e essencial que quem tenha esse interesse venha efetivamente conversar com os pares, demonstrar esse desejo, até mesmo para que todos saibam os potenciais candidatos.
É difícil substituir o Romário Policarpo, especialmente depois de quatro mandatos, sendo oito anos seguidos, pois ele tem sido um exímio presidente da Câmara Municipal. Então, será uma tarefa árdua, mas nós temos vereadores muito capacitados, que conhecem o processo legislativo, que têm conhecimento da Casa, da cidade e dos anseios da população.
Vejo como essencial fazer essa análise com os colegas, com muita sobriedade, para escolher um bom nome para suceder o Romário. Acredito que essa eleição deve acontecer neste ano, mas não acho que será antecipada.
Ton Paulo – Dois assuntos que Sandro Mabel começou a mexer no ano passado, mas acabaram ficando para 2026, foram a reestruturação do Imas e da Comurg, devido à situação complexa dessas duas pastas. O que vai ser de cada uma delas? Já há um prazo para esses projetos chegarem à Câmara para serem analisados?
Precisávamos, de fato, de uma resposta mais efetiva desses órgãos. Até o momento, não recebemos nenhum projeto. A Comurg é uma sociedade de economia mista, e o Imas é um instituto do município. Na primeira, é possível ver uma alteração significativa. Mesmo que parte do trabalho que era executado por ela tenha sido terceirizada para o Consórcio LimpaGyn, nós vemos uma Comurg mais saneada e a inexistência de matérias que abordem os altos números de comissionados, salários astronômicos, entre outros tópicos que sempre foram pontos críticos na empresa.
Houve um trabalho firme e essencial na Comurg, e as contas mostram isso. Veja o valor que era gasto por mês anteriormente e o que é gasto agora: é infinitamente inferior, e isso é importante porque é um valor que sai do cofre da Prefeitura, que é o principal destinatário dos serviços. E adianto: não há informações sobre possível liquidação da empresa.
Sobre o Imas: a resolução do problema é essencial. Há muitos servidores que necessitam dos serviços, não têm atendimento, e isso é muito ruim para quem precisa do plano. Acredito que será pensada uma solução, porque o objetivo do Imas é garantir esse atendimento de saúde aos servidores. Imagina você pagar um valor, tirando o mérito de ser alto ou baixo, e não ter direito ao serviço prestado? Isso é muito severo até para a própria cidade.
João Paulo Alexandre – O prefeito Sandro Mabel começou o mandato fazendo mutirões de limpeza, e tivemos certos avanços, mas que deram uma estagnada. É notório que há pontos na cidade que ainda estão sujos, com a presença de mato alto. O que está faltando para a população sentir esses serviços de maneira efetiva?
Avançamos muito, mas é claro que ainda tem muito a se fazer. O primeiro ano de qualquer mandato é muito difícil, pelo fato de que se trabalha com orçamento e contratos firmados na gestão anterior. E há ajustes que você não consegue fazer em seis meses ou até mesmo em um ano.
É natural que, em uma cidade com 1,5 milhão de habitantes, haja esses gargalos. Mas, se lembrarmos de como estava Goiânia no início da gestão do Sandro, a situação realmente era muito preocupante e difícil de ser enfrentada. Ainda vemos, eventualmente, casos que precisam de uma atenção maior, mas eu acredito que isso vai ser azeitado nos próximos meses.
Ton Paulo – Qual é a quantidade real de vereadores que estará na base do prefeito no ano legislativo de 2026? O PL ainda se considera independente ou já compõe a base?
Hoje estamos com uma base de 24 vereadores. No caso do PL, nós temos um diálogo muito próximo, sendo que, em muitos projetos importantes para a cidade, os vereadores da sigla têm seguido a orientação da base, mas é um partido que continua independente.
Fabrício Vera – Apesar dos 24 vereadores, há projetos em que essa quantidade de parlamentares varia, podendo chegar a 19 que estejam efetivamente com o Executivo. Como tem funcionado essa flexibilidade na Câmara, em que, em determinadas situações, vereadores que se dizem da base deixam de votar em pautas importantes para o prefeito?
Atualmente, não trabalhamos ainda com essa flexibilização. O que temos reforçado é o diálogo. É essencial demonstrar de maneira clara a parte técnica do projeto, e é algo que eu, particularmente, pretendo investir cada dia mais. Isso ajuda na desmistificação de qualquer dúvida sobre o tema.
É minha missão, como líder do prefeito, deixar cada dia mais claro o objetivo daquela matéria e o resultado que ela trará ao ser aprovada. Isso facilita, inclusive, o diálogo para aprovação e que não fiquem dúvidas ou colocações que possam desvirtuar o objetivo da finalidade do próprio projeto.
Ton Paulo – Já tem no radar algum projeto que o Paço queira mandar para a Câmara neste ano? E você tem algum projeto político para 2026?
Pelo menos nesse retorno, não há um projeto por parte do Executivo a ser apresentado. Estou muito feliz como vereador por Goiânia, gosto muito do Parlamento, mas eu tenho pensado e estou com o objetivo de sair como candidato a deputado estadual. Hoje eu sou pré-candidato pelo DC, não tenho intenção de mudar de partido, já que a sigla tem um histórico, nos últimos anos, de montar boas chapas.
Nas últimas eleições, seja para vereador ou deputado estadual, o DC sempre conseguiu eleger um nome. Mas, se eu não ver esse projeto viabilizado, eu vou continuar como vereador e serei muito feliz exercendo meu mandato como parlamentar.
Ton Paulo – O senhor pretende renunciar à liderança quando começar efetivamente a campanha?
Eu confesso que não pensei nisso ainda, mas tudo isso será dialogado com o prefeito. Eu vou ter mais clareza disso por volta de abril ou maio, quando vou ter uma noção se será viável ou não. Eu quero encabeçar um projeto que se mostre possível, que tenha mais chance de dar certo do que de não dar.
Na política, nós nunca temos certeza, mas você consegue visualizar fatores que indicam a possibilidade de ir para frente ou não. Tenho sido muito feliz como vereador, como advogado, seguindo a minha vida como professor, pois nunca deixei de exercer essas funções. Se for viável, eu venho candidato pelo DC.
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