O policial penal Jonildo Domingos da Silva, acusado de atirar no vidro traseiro do carro de um policial militar na Avenida Eduardo Elias Zahran, em Campo Grande, foi absolvido e teve o processo administrativo disciplinar arquivado. O caso ocorreu em julho de 2021. À época, Jonildo alegou que o condutor do outro veículo avançava sinais vermelhos e realizava manobras perigosas. A decisão foi publicada nesta terça-feira (20) no Diário Oficial Eletrônico. O episódio ganhou repercussão por ter ocorrido em uma das avenidas mais movimentadas de Campo Grande, a Zahran, na tarde de uma sexta-feira, como uma "cena de filme". O Fiat Argo trafegava em alta velocidade pela Avenida Eduardo Elias Zahran, nas proximidades do Terminal Hércules Maymone, quando foi atingido por um disparo de arma de fogo. O carro acabou parando no canteiro central da via. Segundo testemunhas ouvidas na ocasião, o motorista fazia zigue-zague pela avenida, em alta velocidade. O policial penal, que seguia em um veículo logo atrás, teria emparelhado e ordenado que o condutor parasse. Como a ordem não foi obedecida, Jonildo sacou a arma e efetuou o disparo, que atingiu o vidro traseiro do carro. Ainda no dia do ocorrido, o policial penal foi preso em flagrante e alegou ter agido em legítima defesa. Em depoimento à Polícia Civil, afirmou que o motorista dirigia “de forma anormal”, ultrapassando sinais vermelhos e realizando manobras perigosas. Ele também relatou que havia acionado a Polícia Militar pelo telefone 190, repassando em tempo real a localização do veículo. Conforme a versão apresentada, o primeiro contato visual entre os dois teria ocorrido na Avenida Fernando Corrêa da Costa, nas proximidades do Hemosul, quando o motorista do Argo teria apontado uma arma de fogo para outros condutores. Já na Avenida Eduardo Elias Zahran, durante congestionamento na região da Vila Antônio Vendas, os veículos teriam emparelhado novamente. Jonildo disse ter interpretado gestos do motorista como provocação e afirmou ter visto o homem levar a mão à perna, o que teria motivado o disparo. O motorista do Fiat Argo foi identificado como Carlos Henriques Quintas Júnior, policial militar lotado na escolta do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande. Apesar do susto, ninguém ficou ferido. Na época, a Aspra-MS (Associação dos Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul) divulgou nota de repúdio, classificando a conduta do policial penal como “despreparada” e “temerária”. A entidade destacou que o policiamento ostensivo das ruas e avenidas da Capital é atribuição do Batalhão de Trânsito. Dois dias após o fato, Jonildo foi liberado mediante pagamento de fiança equivalente a um salário mínimo. Agora, quase quatro anos depois, o policial penal foi absolvido na esfera administrativa, com o arquivamento do procedimento disciplinar.