Empresário goiano aposta em clonagem de capim Tifton 85 para elevar a produtividade da pecuária
O zootecnista Oswaldo Stival Neto afirma que sua atuação na pecuária é resultado direto de uma trajetória familiar ligada ao campo. Terceira geração de pecuaristas, ele é neto de Oswaldo Stival e filho de Edivaldo Stival, família com atuação histórica no interior de Goiás. “Isso já está no sangue. Carrego o nome do meu avô e a responsabilidade de dar continuidade ao que ele construiu dentro da pecuária”, afirma.
A relação da família com o agro, segundo ele, antecede a própria atividade pecuária. Os antepassados chegaram da Itália no início do século XX e se estabeleceram na região de Nova Veneza (GO), inicialmente com a produção de café. “Depois, meu avô incorporou a pecuária de forma definitiva, e foi a partir daí que a atividade se consolidou na família”, explica.
Antes mesmo da formação acadêmica em zootecnia, Oswaldo já atuava nas propriedades da família, principalmente em sistemas de confinamento bovino. Durante a graduação e em viagens técnicas ao exterior, especialmente aos Estados Unidos, ele passou a questionar a viabilidade econômica desse modelo. “Em 2008, vi sistemas de confinamento operando com prejuízo, porque o custo de produção era maior que o valor de venda. Aquilo mostrou o alto risco da dependência de insumos”, relata.
A experiência levou o zootecnista a direcionar seus estudos para a produção a pasto. “O Brasil tem clima, solo e regime de chuvas favoráveis. Percebi que havia uma oportunidade clara de produzir com mais rentabilidade, desde que o pasto fosse tratado como lavoura”, diz. Segundo ele, a lógica do sistema passa pela produção de forragem de alta qualidade, utilizando o animal como agente de conversão em carne ou leite.
Encontro com o Tifton 85
O contato com o capim Tifton 85 ocorreu durante a expansão das propriedades da família. Em uma das áreas adquiridas, parte da fazenda já possuía piquetes formados com a gramínea. “A produtividade era significativamente maior do que a observada em pastagens como braquiarão e mombaça. O desafio passou a ser como expandir esse modelo”, afirma.
Criado em 1992, nos Estados Unidos, o Tifton 85 é um híbrido desenvolvido a partir do cruzamento de gramíneas de origem africana e norte-americana. Por não produzir sementes viáveis, sua multiplicação sempre foi considerada um entrave para adoção em larga escala. “O produtor se deparava com a dificuldade do plantio, que limitava a expansão”, explica.
A solução veio com o desenvolvimento da técnica de clonagem de mudas e do plantio mecanizado, em parceria com um pesquisador de Minas Gerais. A partir dessa experiência, foi criada a Amazon Mudas, com sede em Brazabrantes (GO). “A tecnologia permite implantar o Tifton 85 de forma mecanizada e com padrão genético uniforme em toda a área”, afirma Oswaldo.
Segundo ele, a intensificação com a pastagem pode elevar a lotação média de uma cabeça por hectare, índice ainda predominante no país, para até sete cabeças por hectare, apenas com suplementação mineral. “Também é possível sair de uma produção média de quatro arrobas por hectare ao ano para cerca de quarenta arrobas, sem uso de ração”, disse.
Ganho produtivo e efeitos ambientais
O desempenho do Tifton 85 está relacionado, segundo o zootecnista, ao seu valor nutricional. Enquanto pastagens tropicais tradicionais apresentam entre 9% e 10% de proteína bruta quando adubadas, o Tifton 85 pode alcançar de 18% a 22%. “A proteína é o principal fator para ganho de peso e produção de leite”, explica.
Além do aspecto produtivo, Oswaldo destaca os efeitos ambientais da gramínea. “Ela forma cobertura total do solo, o que reduz erosão, aumenta a infiltração de água e evita a perda de fertilidade”, afirma. Esse comportamento difere de pastagens formadas por touceiras, nas quais a água da chuva escoa com maior facilidade, carregando solo, adubo e resíduos orgânicos para os rios.
Segundo o zootecnista, áreas degradadas podem apresentar recuperação significativa após alguns anos de uso da pastagem. “O acúmulo de folhas, esterco e matéria orgânica promove a regeneração do solo, de forma semelhante ao que ocorre em áreas de mata”, explica. Estudos citados por ele indicam ainda maior capacidade de sequestro de carbono em comparação com pastagens tropicais convencionais.
Papel do Brasil e expansão internacional
Para Oswaldo Stival Neto, a intensificação das áreas já abertas é central para que o Brasil amplie sua produção de proteína animal sem avançar sobre novas áreas. “Com cerca de 10% das pastagens consolidadas adotando tecnologias de intensificação, o país consegue responder por uma parcela significativa da demanda global prevista até 2050”, avalia.
Atualmente, a Amazon Mudas atende produtores em todos os estados brasileiros, oferecendo não apenas as mudas, mas também suporte técnico e acompanhamento até o fechamento das áreas implantadas. A empresa também iniciou o processo de internacionalização, com projetos em execução no Paraguai e estudos em andamento no Uruguai e na Argentina.
“Não se trata de uma solução isolada, mas de uma ferramenta dentro de um sistema que envolve manejo, adubação e estratégia produtiva. O objetivo é aumentar a produtividade, a rentabilidade e a sustentabilidade da pecuária”, conclui.
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