O ataque que deixou um paciente cego de um dos olhos em frente ao Instituto da Visão, no bairro Chácara Cachoeira, ocorreu fora do horário de funcionamento da clínica e levou a direção a discutir novas medidas de segurança, inclusive fora do expediente. A informação foi confirmada nesta terça-feira (27) por Bruno Capobianco, gestor estratégico da unidade. Segundo ele, o episódio registrado às 5h12 da manhã é o primeiro do tipo desde a abertura da clínica. “Nunca tivemos episódio de depredação nem de agressão. A clínica é monitorada e tem suporte de segurança, mas naquele horário ainda não estava aberta. Foi algo que saiu do nosso controle”, afirmou. O gestor classificou o caso como grave, triste e totalmente atípico para o histórico do Instituto da Visão. Ele reforçou que a unidade já havia emitido nota oficial na segunda-feira (26) e que, a partir do ocorrido, a direção passou a discutir ajustes nos protocolos de segurança. As medidas ainda não foram detalhadas, mas devem considerar o período fora do horário de atendimento, das 6h às 22h. De acordo com Bruno, quando a clínica abriu, o paciente, ferido, já apresentava baixa visão no olho direito em razão do trauma sofrido na calçada antes do início do expediente. A equipe médica atendeu imediatamente o paciente e o submeteu a um procedimento cirúrgico de urgência no próprio dia. “O procedimento realizado foi para reparar os danos causados pela agressão. Não tem relação com o transplante”, esclareceu. Ele havia passado por transplante de córnea há cerca de um mês e retornava à clínica apenas para acompanhamento pós-cirúrgico. Após a cirurgia de emergência, o homem recebeu alta ainda na segunda-feira e foi encaminhado para um hotel, com apoio logístico da clínica, que também forneceu transporte e organizou o retorno para nova avaliação nesta terça-feira. O Instituto informou que ofereceu suporte completo ao paciente, incluindo orientação para registro do boletim de ocorrência, acompanhamento jurídico e médico contínuo. Segundo Bruno, a próxima etapa depende da avaliação dos oftalmologistas. “Agora, com o retorno, os médicos vão avaliar o que será necessário e quais procedimentos ele ainda pode precisar”, disse. O gestor ressaltou que não pode divulgar mais detalhes clínicos por questões éticas e legais. Espera - Outro ponto esclarecido pela clínica é que o paciente chegou com cerca de uma hora de antecedência porque utilizou transporte coletivo municipal e pretendia retornar no mesmo dia. Foi nesse intervalo, antes da abertura da unidade, que ocorreu a agressão. A Polícia Civil prendeu o suspeito, que permanece à disposição da Justiça. O Campo Grande News entrou em contato com a vítima por telefone, mas ela ainda não quer falar sobre o caso.