Competição de 24 horas ininterruptas de corrida reúne cerca de 60 atletas no Parque dos Poderes, em Campo Grande, entre a manhã deste sábado (31) e a manhã de domingo (1º). A prova marca a primeira edição do Kenya Run 24 Horas, iniciativa criada por um grupo local de corredores que decidiu transformar o desafio coletivo em evento oficial. O grupo é formado por cerca de 150 integrantes, mas, inicialmente, apenas 24 atletas haviam se proposto a participar da prova. Com o avanço da divulgação e convites entre corredores da Capital, o número de participantes chegou a aproximadamente 60, divididos em cinco equipes, com média de 12 pessoas por grupo. A dinâmica exige que a corrida não seja interrompida em nenhum momento ao longo das 24 horas. Cada equipe administra o próprio tempo de revezamento. Os atletas correm por períodos que variam de 30 minutos a até quatro horas, antes de retornar ao ponto de apoio para que outro integrante assuma o percurso. O objetivo principal não é a distância, mas a resistência coletiva, garantindo que sempre haja alguém correndo. Ao final da prova, todos os grupos recebem troféus de participação, além de medalhas individuais, e nos pontos de apoio há alimentos e bebidas para os participantes. Um dos organizadores, Eduardo Valdez, que corre há 13 anos, explica que a ideia surgiu a partir de experiências semelhantes realizadas em outras regiões do país. “A gente fomentou a ideia, criou todo o aparato logístico e se inspirou em provas que já existem no Brasil. O nome Kenya vem do tipo de terreno onde treinamos, em estrada de chão batido, semelhante ao do Quênia, onde atletas de elite se preparam. O objetivo é ver qual grupo suporta manter a corrida durante as 24 horas”, afirmou. Entre os participantes está Lígia Dekenes, corredora há 11 anos, que não integra o grupo Kenya, mas aceitou o convite para o desafio. Para ela, a corrida vai além do esporte. “É um hobby que virou quase um remédio. Quando fico sem correr, sinto falta. Gosto de correr em grupo, porque um incentiva o outro”, relatou. O evento também reúne militares. Renan Jardim, cabo do Exército, corre há seis anos e diz que a prática se tornou parte da rotina desde que ingressou no quartel. “Comecei por conta do serviço militar e nunca mais parei. Corro todos os dias, entre cinco e sete quilômetros”, contou. Já a sargento Ticiane Jacob, corredora há cerca de um ano e meio, destaca o aspecto social da prova. “Sempre gostei de esporte. A corrida é uma terapia e uma forma de estar com pessoas que gostam da mesma coisa”, disse.