Para os xiitas iranianos, mentir em nome de Deus não é considerado pecado
Taqiyya. Guarde bem esse nome. A palavra vem do árabe WAQA, que significa proteger-se. É uma das prática religiosa islâmica que envolve contar mentiras para se proteger. Sem muita enrolação, taqiyya quer mesmo dizer: dissimulação. No islã, a definição literal é prudência ou temor.
Considere o conceito de taqiyya – a ação de ocultar ou dissimular – que remonta os conflitos sectários internos muçulmanos e denota a dispensa dos preceitos religiosos em casos de constrangimento ou quando há possibilidade de dano. É a negação “preventiva” da crença religiosa diante de uma perseguição. Trata-se da arte de mentir para sobreviver.
No mundo islâmico, alegações de taqiyya figuram em disputas intra-muçulmanas, particularmente entre sunitas e xiitas, mas também entre partidos políticos seculares e islamistas. Historicamente, a taqiyya tem sido muito mais importante para os muçulmanos xiitas do que para os sunitas, porque os xiitas são minoria no mundo islâmico e, para se protegerem de perseguição ou massacres, optaram pelo uso da taqiyya para sobreviver. Isso levou os sunitas a concluírem que foram os xia (abreviação para xiitas) que inventaram a prática de mentir em nome de Alá. O que não é verdade, porque a Taqiyya pode ser encontrada no Alcorão, o livro sagrado do Islã. Por exemplo, no capítulo ou Súria 16, verso 106, Alá diz que “sua ira se abate sobre qualquer muçulmano que decide rejeitar o islamismo, a menos que o muçulmano seja forçado a rejeitar os preceitos islâmicos, mas que em seu íntimo ele permanece um verdadeiro crente”.
Este verso foi revelado após um dos seguidores de Maomé, Ahmed Bin Yasser, ter amaldiçoado o profeta e orado a deuses pagãos enquanto era torturado por infiéis. Como ele só amaldiçoou Maomé para sobreviver à tortura, foi perdoado.
Então, se você fosse um muçulmano e dissesse “eu rejeito o islamismo” sem realmente querer, está tudo bem. Mas a taqiyya também envolve a pretensão de ser amigável com os não muçulmanos (leia-se infiéis) mesmo que os odeie. No verso 28 do Alcorão lê-se: “Não tome os descrentes ( que não seguem o Islã) como amigos, a menos que se trate contra eles.” Note que esse verso não tem nada a ver em se fingir de não muçulmano, mas em ser amigável quando você na verdade não gostaria de ser. Alá deixa claro que descartará o muçulmano que tem um judeu, cristão ou pagão como amigo, mas existe uma exceção: a menos que tema o perigo vindo deles. Abu al-Darda, um dos companheiros de Maomé disse: “Nós sorrimos diante dos infiéis, embora nossos corações os odeie”. Maomé, o mensageiro de Alá, disse aos que estavam com ele que fossem severos e implacáveis com os infiéis e misericordiosos entre eles.
Os muçulmanos são ordenados a subjugarem violentamente os não muçulmanos, mas, de acordo com o Alcorão, eles podem não estar em posição de subjugar os descrentes, por isso devem compartilhar seus planos e afirmar: “ nós não vamos atacar vocês agora, mas assim que tivermos a chance, vamos conquistar a sua civilização, matar os homens, estuprar suas esposas e escravizar seus filhos.” Alá diz ao final da Súria 48: “Finjam ser amigáveis até que o número de muçulmanos prevalecer, se quiser cortar a mão dos seus inimigos, então as beijem.”
Antes de 11 de setembro de 2021, o termo taqiyya era mencionado ocasionalmente em reportagens como uma curiosidade linguística, mas após os ataques a Nova York e Washington, taqiyya começou a ser citado pela mídia como a explicação lógica plausível que justificasse a vida dupla dos sequestradores durante o período de preparação dos atentados, quando atuaram como agentes infiltrados.
Ao propagar a ação da desonestidade entre os muçulmanos em nome da islamização, o alarmismo
da taqiyya emite um julgamento sobre os muçulmanos não com base em versão distorcida herdada ou adquirida a uma identidade coletiva. O Hamas utilizou a taqiyya diversas vezes, mesmo sendo um grupo terrorista sunita, ao entrar em acordo com Israel por quatro vezes até que, na quinta vez, realizou o massacre no sul do território israelense, em 07 de outubro de 2023. Ação que deu início à guerra que durou dois anos e que levou o Hezbolá, grupo terrorista xiita libanês, a romper o acordo mentiroso que assinaram com Israel e a comunidade internacional para não mais entrar em conflito com o Estado judeu. No entanto, no dia seguinte ao massacre, lançaram uma bateria de milhares de mísseis contra o norte de Israel, em 08 de outubro de 2023, alegando apoio ao Hamas, o que não passava de uma grande taqiyya elaborada pelos aiatolás no Irã. A ordem dos dois ataques veio de lá, num plano meticulosamente orquestrado pelo regime teocrático.
Os iranianos também usaram a taqiyya quando assinaram um acordo durante o governo Obama em que prometiam interromper o enriquecimento de urânio para construir a bomba atômica e garantiam que o material seria usado, apenas, para o uso civil. Era uma grande mentira, provada após os ataques israelenses e americanos contra as usinas atômicas do país na guerra do ano passado, que durou 12 dias. Esta semana, através de imagens de satélite, os israelenses desmascararam o regime iraniano ao divulgar imagens da reconstrução dessas usinas sob o disfarce de que estavam bloqueando estes locais. Na verdade, estão cavando ainda mais fundo para torná-las inacessíveis aos olhos do Ocidente e de qualquer satélite, mas elas já estão em pleno funcionamento nos subterrâneos de Fordo e Qom. O mesmo alegam em relação à produção de mísseis balísticos e à armazenagem desses armamentos.
Uma possível negociação poderá evitar a guerra?
A agência Reuters confirmou nesta segunda-feira, 02, que Steve Witkoff, negociador especial do governo americano, vai se encontrar com o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, na próxima sexta-feira, 06/02, em Istambul na Turquia. Representantes diplomáticos de alguns países da região do Oriente Médio como o Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Egito também estarão presentes e têm a difícil missão de tentar evitar o conflito militar entre os dois países, que pode virar uma guerra regional.
Os Estados Unidos querem ouvir o que os aiatolás têm a dizer. Antes da Turquia, Witkoff faz escala em Israel, nesta terça-feira, 03/02, para se encontrar com o premiê Benyamin Netanyahu, em Jerusalém. Na quarta-feira, 04/02, o negociador especial dos Estados Unidos ainda vai a Abu Dhabi onde participa de outra negociação, a qual o governo americano está envolvido, entre a Ucrânia e a Rússia.
Apesar dos esforços diplomáticos, aumenta cada vez mais a possibilidade de uma guerra no Oriente Médio. Após Irã e China anunciarem, no último fim de semana, um grande exercício militar no Golfo Pérsico, hoje, foi a vez de Israel e Estados Unidos também confirmarem que, no último domingo, 01/02, realizaram um extenso treinamento naval no Mar Vermelho que contou com a participação do navio destroyer Delbert Black e que a temida embarcação, agora, está ancorada no porto de Eilat, no sul de Israel. O Black é um dos oito destroyers que os Estados Unidos enviaram para a região, além do porta aviões Abraham Lincoln, a arma de guerra mais perigosa e potente do planeta que só os EUA possuem.
Será que o Irã vai convencer os americanos com uma outra taqiyya?
A tentativa de uma negociação, no encontro que vai acontecer em Istambul, é a última chance para evitar um conflito militar entre os Estados Unidos e o Irã que, neste momento, estão com armas em punho, apontadas um para o outro. A tensão aumentou ainda mais após os discursos beligerantes de Donald Trump, durante os protestos que se espalharam por todo o Irã contra o regime dos aiatolás, em janeiro, quando o líder americano encorajou os manifestantes ao prometer que a “ajuda estava a caminho”, além de ameaçar bombardear o país caso o povo fosse ameaçado. Pois a ajuda não chegou e o regime massacrou milhares de pessoas. Trump, agora, está sob pressão para cumprir com o prometido.
Desde então, o presidente americano enviou uma armada poderosa para a região e acionou todas as bases militares que mantém na região. Ao mesmo tempo, ele vem anunciando que quer chegar a um acordo com o Irã. Um que garanta que o país persa interrompa definitivamente seu programa nuclear, garanta segurança aos manifestantes, acabe com a produção de mísseis balísticos e que não mais patrocine grupos paramilitares e terroristas.
Inicialmente, o Irã descarta a possibilidade de interromper a produção de mísseis, alegando que o armamento garante a segurança nacional. O ministro Araghchi já declarou que esta questão é irreal e inegociável. Hoje, o chanceler iraniano voltou a pedir que os Estados Unidos não percam a oportunidade de uma negociação justa e limpa que vai garantir ao mundo que o país persa não obtenha armas atômicas. Em 2015, após anos de longas negociações, Barack Obama anunciou ao mundo que um acordo foi assinado com o Irã, sob a promessa de que o país interromperia o enriquecimento de urânio.
A história mostrou que Obama estava enganado e, sob uma taqiyya, os Estados Unidos foram ludibriados pelos aiatolás. Numa repetição de atos históricos, porque a história, sim, sempre se repete, voltamos ao mesmo cenário, dez anos depois. Resta saber se o faro de negociador que o presidente americano tanto diz ter vai alertá-lo a tempo de que ele pode estar a ponto de assinar um acordo sob uma outra grande mentira, em nome de Alá.
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