O ramal de gasoduto que ligará Três Lagoas a Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, terá compensação ambiental estimada em R$ 1.159.469,35. O valor foi definido em Termo de Compromisso de Compensação Ambiental firmado entre o Imasul Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul e a MSgás, responsável pelo empreendimento. A obra tem orçamento superior a R$ 140 milhões e prevê a oferta de gás natural como fonte de energia e combustível para atender à crescente demanda da região. A compensação ambiental tem como base um Estudo Ambiental Preliminar, exigido no processo de licenciamento. O montante corresponde a 21.905,71 Uferms, unidade fiscal de referência do Estado, e deverá ser aplicado em ações para mitigar os impactos provocados pela implantação do gasoduto, cuja área será diretamente afetada pelas obras. O traçado do empreendimento atravessa uma região que, nos últimos anos, tem registrado aumento intenso no tráfego de caminhões, principalmente para o transporte de madeira e eucalipto. A movimentação pesada já pressiona a infraestrutura viária e o meio ambiente local. Nesse contexto, embora o gasoduto seja apresentado como alternativa energética mais sustentável, o licenciamento reconhece a necessidade de medidas compensatórias diante do impacto potencial sobre o ecossistema. Para o cálculo da compensação, foi considerado como base o valor de R$ 145,66 milhões, levando em conta a magnitude da obra e os possíveis danos ambientais associados. O termo terá validade de 24 meses, período em que os impactos deverão ser monitorados e as medidas de preservação ambiental executadas conforme o plano de gestão pactuado. O projeto segue as diretrizes da Lei Estadual nº 3.709, de 2009, e das resoluções da Secretaria de Estado de Meio Ambiente. Todas as etapas do licenciamento ambiental foram conduzidas com base na legislação vigente, cabendo ao Imasul a supervisão da execução das medidas compensatórias. O termo foi assinado em 27 de janeiro de 2026 e marca o início da fase de implementação das ações de mitigação ambiental. Além da compensação, a MSgás afirma ter assumido o compromisso de adotar as melhores práticas de sustentabilidade durante a execução do gasoduto, com o objetivo de reduzir impactos e ampliar os benefícios do empreendimento para a população local, por meio de uma fonte de energia considerada mais estável e econômica. O ramal faz parte do projeto de fornecimento de gás natural para a futura fábrica de celulose da Arauco, em Inocência. O contrato firmado prevê fornecimento por 20 anos, a partir de 2027, com expectativa de receita de R$ 1,2 bilhão. O investimento total estimado prevê extensão de 125 quilômetros, ligando a estação de compressão em Três Lagoas à planta industrial. Na esteira desse contrato, a companhia também avalia a viabilidade econômica do fornecimento de GNV para o transporte pesado, como parte do plano de interiorização do gás natural no Estado. A licitação para aquisição dos tubos de aço carbono foi publicada no Diário Oficial do Estado, com prazo para apresentação de propostas até 14 de julho. A parceria com a Arauco se soma a outro projeto já em operação no Vale da Celulose, com a Suzano, em Ribas do Rio Pardo. Segundo o cronograma, as obras devem começar em maio de 2026, seguindo o traçado das rodovias MS-320 e MS-377, a partir da estação localizada na BR-158, em Três Lagoas. O projeto também abre possibilidade de expansão da rede para municípios como Água Clara, Aparecida do Taboado e a própria Inocência, que será o ponto de entrega do gás. Atualmente, a MSGás atende mais de 24 mil clientes, com uma malha de 530 quilômetros de rede de gás canalizado, fornecendo para os segmentos residencial, comercial, industrial, de cogeração e postos de GNV em Campo Grande e Três Lagoas.