A apuração do furto que provocou prejuízo superior a R$ 1 milhão em uma joalheria tradicional de Ponta Porã, a 313 quilômetros de Campo Grande, aponta uma ação com sinais de planejamento e disciplina operacional. As imagens do circuito interno de segurança registraram os criminosos usando luvas, máscaras e outros cuidados para dificultar qualquer tipo de identificação, além de reduzir a chance de coleta de impressões digitais ou reconhecimento facial. O crime ocorreu na madrugada de segunda-feira (9), no estabelecimento localizado na Avenida Brasil. Para acessar o interior do imóvel, os suspeitos abriram passagem por uma parede dupla, método que demanda tempo, ferramentas específicas e conhecimento prévio da estrutura. A escolha do horário também reforça a hipótese de que o ataque foi estudado para acontecer em momento de menor circulação e menor vigilância. As gravações indicam que os autores mantiveram o rosto coberto durante toda a invasão e evitaram contato direto que pudesse deixar vestígios. Além de levarem centenas de peças de alto valor, o grupo também retirou do local uma escada usada para alcançar e interferir no sistema de monitoramento interno, numa tentativa de comprometer provas e enfraquecer a investigação. O caso é investigado pelo SIG (Setor de Investigações Gerais, da Polícia Civil). Ao site Ponta Porã News, o delegado Ítalo Amaury Teixeira da Silva, responsável pelo caso, informou que as imagens passam por análise detalhada, com atenção especial à rota de fuga e a qualquer elemento que possa quebrar o anonimato imposto pelos equipamentos de proteção. A suspeita é de participação de ao menos três pessoas. A Polícia Civil também trabalha para rastrear o destino das joias, avaliando a possibilidade de envio para outras regiões e até para fora do país, considerando a posição de Ponta Porã na faixa de fronteira. Recomeço - Enquanto a investigação avança, a família decidiu tornar pública a dor e a força. “(...) tentar entender como algo que levou uma vida inteira para ser construído poderia desaparecer em algumas horas. Ontem nós choramos, pelo que foi levado, pelo medo e por não sabermos se teríamos forças para continuar ou se aquele seria o dia que desistiríamos de tudo”, diz a proprietária. As imagens intercalam o presente devastado com o passado de conquistas. “Minha mãe começou com seis peças, quatro correntinhas e dois pingentes. Ela ia de casa em casa de motinha, oferecendo, acreditando, insistindo, mesmo quando ninguém via o que isso um dia se tornaria”, relembra. Peça por peça, cliente por cliente, a joalheria foi crescendo. “Aquele estoque não era só mercadoria, era o futuro de cinco famílias, era a segurança dos meus pais, era o caminho meu e das minhas irmãs. O que existia ali dentro não era um estoque, era um legado. E em poucas horas tudo nos foi tirado”.