Medicamento que reduz em até 90% os sangramentos passa a integrar o SUS e redefine tratamento da hemofilia infantil
O Emicizumabe, medicamento inovador que reduz em mais de 90% os episódios hemorrágicos, foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e já está disponível para crianças com hemofilia A em Goiás. A novidade redefine a assistência a pacientes que convivem com a doença genética e hereditária caracterizada pela deficiência dos fatores de coagulação do sangue.
A hemofilia é uma condição ligada ao cromossomo X e, por isso, acomete principalmente homens. Ela se manifesta pela deficiência de um dos fatores de coagulação, sendo os dois principais tipos, Hemofilia A, causada pela falta do Fator VIII, e Hemofilia B, pela ausência do Fator IX. Essa deficiência compromete o processo de coagulação, tornando os sangramentos prolongados e podendo gerar hemorragias espontâneas, especialmente em articulações e músculos.
Tradicionalmente, o tratamento da hemofilia baseia-se na reposição do fator de coagulação ausente, por meio de concentrados de Fator VIII ou IX, derivados do plasma ou produzidos por tecnologia recombinante. Essa reposição pode ser feita de duas formas: sob demanda, quando há episódio de sangramento; ou profilática, de forma regular para prevenir hemorragias, sendo atualmente o padrão recomendado.
Em alguns casos, especialmente na hemofilia A, o Emicizumabe surge como alternativa. Administrado por via subcutânea, ele atua como substituto funcional do Fator VIII, ligando o Fator IXa ao Fator X e permitindo que a coagulação ocorra mesmo na ausência do Fator VIII. Além disso, terapias gênicas estão em desenvolvimento e já foram aprovadas em alguns países, ampliando as perspectivas de tratamento.
O Emicizumabe apresenta maior duração no organismo e possibilita aplicações menos frequentes, reduzindo internações e prevenindo sequelas articulares. Estudos mostram que o medicamento diminui em mais de 90% os episódios hemorrágicos, trazendo impacto direto na qualidade de vida das crianças e suas famílias.
Papel do farmacêutico
A incorporação do Emicizumabe ao SUS reforça a importância do farmacêutico na assistência a pacientes que utilizam medicamentos de alta complexidade. O vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia de Goiás (CRF-GO), Daniel Jesus, destacou em entrevista ao Jornal Opção que o farmacêutico tem papel fundamental no cuidado ao paciente com hemofilia.
Segundo ele, o profissional atua na garantia da qualidade e armazenamento adequado dos medicamentos, orienta sobre a técnica correta de aplicação, intervalos de uso e adesão ao tratamento profilático, além de identificar precocemente sinais de sangramento. Também contribui no monitoramento da segurança do tratamento, na farmacovigilância, na avaliação de possíveis interações medicamentosas e na educação do paciente e da família.
“No contexto do sistema público de saúde, o farmacêutico participa da gestão de medicamentos de alto custo, da elaboração e cumprimento de protocolos clínicos e da promoção do uso racional dos recursos terapêuticos”, afirmou Daniel Jesus.
O gerente da Assistência Farmacêutica do Hemocentro de Goiás, Hericon Bonfim Gomes da Silva, reforçou que o suporte profissional é decisivo para o sucesso da terapia. “O acompanhamento farmacêutico garante segurança, adesão ao tratamento e uso racional do medicamento”, disse.
Impacto para pacientes e famílias
Com aplicações menos frequentes e maior proteção contra hemorragias, o Emicizumabe redefine a qualidade de vida das crianças com hemofilia A. Além de reduzir sequelas articulares, o medicamento diminui a necessidade de hospitalizações, trazendo alívio para famílias e para o sistema de saúde.
A incorporação do tratamento ao SUS simboliza não apenas um avanço científico, mas também um compromisso com a equidade no acesso a terapias de alta complexidade, consolidando o papel do farmacêutico como elo essencial entre inovação e cuidado humanizado.
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