Advogado pede cassação de vereador de Caldas Novas acusado de solicitar propina para funcionamento de trenzinho
Representações protocoladas na Câmara Municipal de Caldas Novas pedem a instauração de processo político-administrativo, com afastamento cautelar e cassação do mandato do vereador Hudson Matheus de Paula Pires (MDB). O parlamentar é acusado de solicitar vantagem financeira para viabilizar a emissão de alvarás de funcionamento de trenzinhos turísticos no município. O vereador nega irregularidades.
Hudson Matheus está afastado do cargo desde janeiro, por decisão judicial, que também determinou o afastamento de uma assessora parlamentar e proibiu ambos de acessar as dependências da Câmara Municipal.
O pedido foi apresentado pelo advogado Rannieri Lopes, que sustenta que há duas denúncias distintas, formuladas pelos empresários Ivair Clemente Gomes e Sérgio de Castro, ambos permissionários de trenzinhos turísticos em Caldas Novas.
Segundo a representação, em março de 2025, o vereador teria entrado em contato com um dos empresários para uma conversa presencial. Durante o encontro, Hudson Matheus teria afirmado que tinha conhecimento do processo administrativo aberto para obtenção do alvará e que apenas ele teria condições de resolver a situação.
Ainda conforme o advogado, o parlamentar teria exigido o pagamento de R$ 20 mil para inserir o alvará “em qualquer pasta” da prefeitura, além de uma entrada de R$ 2 mil para dar início à suposta fraude. Caso a proposta fosse recusada, a autorização, segundo a denúncia, seria repassada a outra pessoa.
O vereador Hudson Matheus de Paula Pires (MDB) foi procurado pela reportagem do Jornal Opção, mas não retornou até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para manifestação.
Pix de R$ 2 mil e documentos bancários
No segundo caso, envolvendo o permissionário Sérgio de Castro, o pagamento do valor inicial de R$ 2 mil foi realizado a uma pessoa supostamente indicada pelo vereador. Documentos bancários anexados à representação mostram que o Pix foi recebido por Thamires de Figueiredo, servidora pública municipal lotada em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI).
Os comprovantes indicam que, no mesmo dia, o valor foi integralmente transferido para a conta do vereador Hudson Matheus, mantida na Caixa Econômica Federal. A movimentação financeira passou a integrar o conjunto de documentos analisados tanto na esfera criminal quanto no processo político-administrativo em tramitação na Câmara.
Apesar do pagamento, o alvará não foi concedido. Segundo a denúncia, Sérgio de Castro passou a cobrar o cumprimento do acordo, inclusive com visitas ao gabinete do vereador. Em uma dessas ocasiões, Hudson Matheus teria afirmado que conseguiria falsificar assinaturas para acelerar o andamento do processo.
Outras acusações e pedido de uso da tribuna
Além do episódio envolvendo a suposta propina, o advogado relata que um agente de trânsito identificado como Elton Junio Batista Mobile, apontado como apadrinhado político do vereador, teria iniciado abordagens reiteradas aos trenzinhos que circulam no município. Segundo a denúncia, o agente também teria passado a receber valores entre R$ 50 e R$ 80 para permitir a circulação dos veículos.
Na representação, Rannieri Lopes sustenta que houve uso do mandato parlamentar para solicitação de vantagem indevida, além de quebra de decoro parlamentar, o que justificaria a cassação definitiva do vereador.
O advogado também protocolou pedido formal para utilização da Tribuna Popular da Câmara Municipal de Caldas Novas, com o objetivo de apresentar publicamente os fatos, esclarecer as denúncias à sociedade e defender a responsabilização política do parlamentar. O caso segue sob apuração em diferentes instâncias. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa.
Relembre o caso
As denúncias envolvendo o vereador Hudson Matheus vieram a público em janeiro de 2026, após empresários do setor de turismo relatarem suposta exigência de valores para liberação de alvarás de trenzinhos turísticos em Caldas Novas.
O primeiro denunciante, Ivair Clemente Gomes, afirmou ter sido alvo de cobrança de R$ 20 mil, com entrega de cheque caução e posterior transferência via Pix a um servidor lotado no gabinete do vereador. O caso foi formalizado junto ao Ministério Público de Goiás e à Polícia Civil, acompanhado de áudios e documentos.
Na sequência, o permissionário Sérgio de Castro apresentou denúncia semelhante, relatando pagamento de R$ 2 mil como entrada, por meio de Pix a uma servidora pública indicada pelo vereador, valor que, segundo documentos, foi devolvido no mesmo dia para a conta de Hudson Matheus.
Após a repercussão do caso, a Prefeitura de Caldas Novas instaurou sindicância administrativa para revisar as autorizações concedidas aos trenzinhos turísticos. Paralelamente, a Justiça determinou o afastamento do vereador do cargo, medida que segue em vigor.
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