Geração Z evita ligações e conversas presenciais, aponta pesquisadora
Pesquisas recentes e a análise da psicolinguista americana Maryellen MacDonald indicam que jovens da geração Z enfrentam dificuldades crescentes em atividades básicas de comunicação, como fazer ligações telefônicas, manter conversas presenciais e expressar ideias de forma mais elaborada na fala e na escrita.
A constatação é da pesquisadora Maryellen MacDonald, professora emérita da Universidade de Wisconsin-Madison, em entrevista à BBC News Brasil. Segundo ela, mudanças observadas em salas de aula e em pesquisas acadêmicas revelam uma redução significativa das interações presenciais entre jovens, especialmente entre os nascidos a partir do fim dos anos 1990.
MacDonald afirma que tarefas antes consideradas rotineiras como ligar para marcar uma consulta médica, resolver problemas por telefone ou conversar pessoalmente — passaram a gerar ansiedade em parte dos adolescentes e jovens adultos. A pesquisadora ressalta que o fenômeno não atinge todos os jovens, mas aparece com maior frequência entre integrantes da geração Z.
Dados internacionais reforçam o diagnóstico. Relatório da OCDE mostra que, em 2022, apenas 36% dos jovens dos países-membros relataram interação presencial diária com amigos, ante 53% em 2006. Trata-se da maior queda entre todas as faixas etárias analisadas.
Além da fala, MacDonald aponta prejuízos também na escrita e nos hábitos de leitura, o que compromete a capacidade de desenvolver textos mais longos e complexos. Segundo ela, a menor exposição à leitura afeta diretamente o domínio da linguagem.
O impacto chega ao mercado de trabalho. Pesquisa do instituto Harris Poll, citada pela revista Fortune, indica que 65% dos trabalhadores da geração Z dizem não saber sobre o que conversar com colegas, percentual bem superior ao registrado entre profissionais mais velhos. Empresas já relatam a necessidade de treinamentos extras para habilidades básicas, como apresentações e comunicação em reuniões.
MacDonald também associa o problema a fatores como o uso intensivo de celulares, o isolamento social durante a pandemia de covid-19 e a superproteção de pais, que muitas vezes realizam tarefas pelos filhos para evitar situações de ansiedade. Para a pesquisadora, falar é um exercício cognitivo essencial, com benefícios para a atenção, a memória e até a proteção contra o declínio cognitivo ao longo da vida.
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