Fenômeno conhecido como “cascatas de sangue” intriga cientistas na Antártida
Um dos cenários mais curiosos do continente antártico continua chamando a atenção de pesquisadores e do público: as chamadas “cascatas de sangue”, um fluxo avermelhado que escorre da geleira Taylor, nos Vales Secos de McMurdo. Apesar da aparência impressionante, o fenômeno não tem relação com sangue, mas sim com processos químicos e geológicos que ocorrem sob o gelo.
O líquido que escorre pela superfície branca é uma salmoura rica em ferro, preservada em reservatórios subglaciais há milhões de anos. Quando essa salmoura emerge por fissuras na geleira e entra em contato com o ar, o ferro se oxida, adquirindo a coloração avermelhada semelhante à ferrugem.
Sistema subglacial antigo mantém líquido abaixo de zero
Sob a geleira Taylor, existe uma rede de canais que armazena salmoura altamente concentrada. O alto teor de sal reduz o ponto de congelamento do líquido, permitindo que ele permaneça fluido mesmo em temperaturas inferiores a 0 °C.
Esse sistema subglacial funciona como um reservatório antigo. À medida que a salmoura se movimenta internamente, processos de congelamento parcial liberam calor, o que ajuda a manter o fluxo ativo até encontrar fissuras que levam o líquido à superfície.
Reação química explica a coloração vermelha
A tonalidade escura que contrasta com o gelo surge quando o ferro dissolvido na salmoura reage com o oxigênio do ar. O processo de oxidação altera o estado químico do metal e produz o tom avermelhado característico, semelhante ao da ferrugem em objetos metálicos.
Segundo os estudos, o fenômeno é resultado de processos físicos e químicos conhecidos, sem qualquer explicação sobrenatural. O contraste visual, no entanto, contribui para a viralização de imagens e teorias equivocadas nas redes sociais.
Laboratório natural para estudo da vida em condições extremas
Além do impacto visual, as cascatas de sangue despertam interesse científico por representarem um ambiente extremo. A presença de salmoura líquida sob o gelo demonstra que sistemas aquosos podem existir em condições consideradas inóspitas.
Essas características transformam a região em um laboratório natural para estudar os limites da vida e os processos químicos em ambientes subglaciais, além de oferecer pistas sobre condições semelhantes em outros corpos celestes.
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