O que acontece quando as brincadeiras de infância deixam o quintal e ganham o palco? A resposta está em “O Colecionador de Brincadeiras”, espetáculo que transforma cantigas, histórias e memórias afetivas em uma experiência cênica sensível, musical e cheia de afeto. A apresentação chega a Campo Grande como parte do projeto De Roda em Roda, iniciativa que une pesquisa, formação e circulação cultural voltada às infâncias. Idealizado por Edu Brincante, o trabalho nasce de um longo percurso de investigação sobre o brincar como linguagem cultural. A trajetória inclui formações na Casa de Ensaio, em Mato Grosso do Sul, na Casa Redonda — centro de estudos dedicado à infância e cultura brasileira — e no Instituto Brincante, em São Paulo, referência nacional na valorização das tradições populares. Mais do que um espetáculo, a proposta parte da escuta: recolher saberes transmitidos entre gerações e devolvê-los ao público em forma de arte. A pesquisa atravessa temas como oralidade, musicalidade e as pedagogias da roda, entendidas como espaços de aprendizagem, pertencimento e convivência. Do estudo ao palco O projeto De Roda em Roda é resultado direto desse processo formativo. Ao longo de 2025, promoveu ações educativas que aproximaram universidade, artistas e educadores, como uma roda de conversa sobre o brincar como linguagem de conhecimento, realizada com acadêmicos da UFMS, além de oficinas para alunos da Casa de Ensaio. Em fevereiro deste ano, a iniciativa também inclui oficina de contação de histórias voltada a professores, reforçando o caráter pedagógico da proposta. Todas essas experiências desembocam em “O Colecionador de Brincadeiras”, espetáculo de aproximadamente 40 minutos que homenageia duas importantes guardiãs da cultura das infâncias no Brasil: as mestras Lydia Hortélio e Lucilene Silva. Em cena, Edu Brincante costura música, teatro e narrativa de forma orgânica. Cantigas tradicionais, personagens e histórias populares surgem e se transformam ao som de ritmos brasileiros como baião, ciranda, coco e samba de roda, criando um ambiente que convida crianças e adultos a revisitar memórias e redescobrir o prazer do brincar coletivo. Teatro que chega às escolas Além das apresentações abertas ao público, o espetáculo também circula pelas escolas municipais de educação infantil (EMEIs) de Campo Grande, levando arte a espaços que raramente recebem ações culturais. A proposta é democratizar o acesso e reafirmar o brincar como prática essencial ao desenvolvimento humano. No dia 23 de fevereiro, a apresentação acontece nas EMEIs Eloy Souza da Silva, no Bairro Tijuca, e Lageado, no Parque do Lageado. Já no dia 25, o espetáculo chega às EMEIs Luzinete César, no Zé Pereira, e Clotilde Chaia, no Jardim Imá. Apresentação gratuita no Teatro Prosa O público em geral poderá assistir ao resultado dessa trajetória no dia 28 de fevereiro, às 16h, no Sesc Teatro Prosa, em Campo Grande. Edu Brincante sobe ao palco acompanhado da Trupe de músicos brincantes, formada por Érica Toledo, Gabi Kina, Filipe Barbosa e Júlia Mendes. A entrada é gratuita, com ingressos disponíveis pela plataforma Sympla. O projeto conta com patrocínio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, da SETESC-MS e do Ministério da Cultura, por meio do edital PNAB 04/2025, voltado a bolsas culturais de pesquisa, intercâmbio e aprimoramento artístico. Mais do que um espetáculo infantil, “O Colecionador de Brincadeiras” propõe um reencontro coletivo com aquilo que atravessa gerações — o brincar como memória, cultura e forma de aprender o mundo.