A Fiscalia, órgão equivalente ao Ministério Público brasileiro, decretou nesta terça-feira (24) o bloqueio das contas bancárias de familiares do agricultor Almir de Brum da Silva, de 32 anos, sequestrado há três dias na região de Curuguaty, na fronteira do Paraguai com Mato Grosso do Sul. A medida é para evitar pagamento do resgate em negociações sem acompanhamento da polícia. Filho do produtor rural brasileiro Valmir de Brum, o rapaz foi levado por homens armados quando trabalhava na colheita de soja na Colônia Yerutí. No local, o pai de Almir encontrou um bilhete com exigências dos sequestradores e panfletos assinados pelo grupo guerrilheiro EPP (Exército do Povo Paraguaio). O chefe do departamento antissequestro da Polícia Nacional, comissário Juan Pereira, informou que os familiares de Almir só poderão movimentar as contas para gastos cotidianos, sem acesso ao saldo total. “Há uma lei vigente estabelecendo que familiares de sequestrados não podem aceitar qualquer exigência dos sequestradores. Até agora não houve nenhum pedido de resgate”, afirmou. Sobre a suspeita de o sequestro ter sido praticado pelo grupo terrorista, o comissário disse que não é raro outros bandos se passarem pelo EPP para cometer crimes. A Polícia Nacional e forças militares coordenadas pelo Ministério da Defesa reforçaram as buscas na área, mas até agora não há pistas que levem ao cativeiro de Almir de Brum. Ontem, a pedido da família, equipes do Codi (Comando de Operações de Defesa Interna) deixaram o local. O sequestro ocorreu perto da reserva natural Campos Morombí, uma área de 25 mil hectares formada por densa vegetação e localizada entre os departamentos de Canindeyú (fronteira com Mato Grosso do Sul) e Caaguazú.