Falta de higiene em extensões de cílios pode causar infestação de piolhos e problemas oculares; saiba o que fazer
A busca por um olhar mais volumoso e marcante, atendendo a um padrão estético já consolidado entre as mulheres, torna a extensão de cílios um procedimento rotineiro, com datas marcadas para aplicação. No entanto, a negligência da cliente com a limpeza adequada após o procedimento pode criar um ambiente propício para o acúmulo de sujeira e, em casos extremos, para a proliferação de piolhos.
Com essa crescente ameaça à saúde ocular, o Jornal Opção ouviu especialistas para esclarecer as causas, os riscos envolvidos e, principalmente, as medidas de prevenção e tratamento.
O oftalmologista Marco Túlio, do CBV Hospital de Olhos, confirmou em entrevista ao Jornal Opção que a infestação por piolhos e lêndeas em extensões de cílios é uma realidade, embora não seja um quadro clínico frequente. “Eu pessoalmente acho que vi um caso, até porque normalmente está associado com procedimentos feitos em condições de higiene piores e também depois, higienização e cuidado pior por parte dos pacientes”, explica o médico.
Ele ressalta que a contaminação pode ocorrer até mesmo em cílios naturais, geralmente por contágio direto com pessoas ou objetos infectados. No entanto, no contexto das extensões, o risco se amplia. “Pode sim estar relacionado já à própria extensão vir contaminada, talvez em um ambiente de muito baixa higiene e um local de aplicação com uma higiene bastante ruim, contaminação com outras pessoas, não lavar e esterilizar os instrumentos”, detalha.
De acordo com Dr. Marco Túlio, os sinais que mostram o problema vão além da observação direta do inseto. “Ver o piolho ou observar os resquícios ali de lêndea é o mais óbvio, mas outros sintomas como irritação ocular, irritação das próprias pálpebras, descamação, hiperemia, tanto vermelhidão da pálpebra quanto dos olhos, podem sim indicar que tem não só o piolho e a lêndea, como outras alterações”, alerta.
Esses sintomas podem, ainda, ser confundidos com alergias aos produtos ou lesões na córnea, outras complicações possíveis derivadas de procedimentos mal executados ou da falta de cuidado.
Diante da suspeita ou confirmação da infestação, a orientação médica é “procurar o médico imediatamente”. O tratamento, como esclarece, é específico e delicado. “É similar e ao mesmo tempo diferente do couro cabeludo. Nem todos os produtos que podem ser usados em couro cabeludo podem ser usados nos cílios, mas envolve, sim, a retirada das extensões, a retirada mecânica, tanto dos piolhos quanto das lêndeas e o uso de medicação, sempre com muito cuidado, porque não são medicações oftalmológicas, então não pode entrar no olho”.
O médico defende que, pensando exclusivamente na saúde ocular, o ideal seria não realizar procedimentos na área, mas reconhece as pressões estéticas e a importância da autoestima. “Pode ser feito, mas tem que procurar profissionais e ambientes adequados com produtos de boa qualidade em locais que tenham condições de execução. Muitas vezes as pessoas procurando preço tentam fazer em locais mais improvisados e aí que os riscos aumentam muito”, pondera.
O outro lado do balcão: a rotina de cuidados nos estúdios
Do lado dos profissionais que seguem as boas práticas, a preocupação com a biossegurança é constante e começa muito antes da cliente deitar na maca. Ana Carolina de Jesus Souza, esteticista do Studio Carolina Lashes e que trabalha no ramo há 7 anos, detalha ao Jornal Opção os protocolos rigorosos que adota.
“Todos os materiais que a gente utiliza são descartáveis. A escovinha na hora de lavar os cílios, ela é descartável. A escovinha que a gente penteia, ela é única e exclusiva da cliente. A gente sempre entrega para ela levar para casa”, afirma.
Itens reutilizáveis, como as pinças, passam por um processo de esterilização diária. “Em média, a gente tem, pelo menos no meu estúdio, oito pinças, que é o que eu consigo atender no dia, oito clientes. E dessas oito pinças, todas no final do dia são esterilizadas. E no outro dia, a gente utiliza uma para cada cliente”, garante.
Para Ana Carolina, um dos pilares do sucesso e da segurança do procedimento é a educação da cliente. “A gente passa para a cliente os cuidados que ela precisa ter em casa. Muita gente acha que, se não lavar os cílios, ele vai ter uma durabilidade melhor”, lamenta. Ela explica que o cílio natural já protege o olho, mas com a extensão, que oferece uma barreira ainda maior, o acúmulo de sujeira também aumenta.
Por isso, a higienização precisa ser intensificada. “A gente recomenda o uso de xampu neutro para não arder o olho. Chegando em casa, tem que remover a maquiagem, limpar melhor os cílios. Resquícios de produtos oleosos, protetor solar, podem ficar grudados ali no cílio, e isso irá gerar o famoso ‘demodex’, que é um sebo que se dá a esse excesso de sujidade”, explica.
A esteticista diferencia esse acúmulo de sebo da infestação por piolhos. “A questão do piolho normalmente se dá quando ou a pessoa já tem o piolho normal na cabeça, ou se ela tiver algum animal em casa, ou se está em um lugar sujo, ele vai proliferar ali. Nesses casos extremos, é quando a pessoa realmente não faz a higienização.”
Polyanna Vieira da Silva Reis, esteticista do Studio Reis e com 6 anos de experiência na área, também compartilha sua visão sobre o problema. Ela confirma ao Jornal Opção que os relatos de complicações têm se tornado mais frequentes. “Realmente andam acontecendo muitos casos como esse, e é muito triste, pois traz uma propaganda negativa para nós profissionais da área, prejudicando nosso trabalho. E isso tudo é causado por um único motivo: Falta da higienização correta”, enfatiza.
Para ilustrar, Polyanna faz uma analogia simples. “É como se fosse a colocação de uma mega hair no cabelo: se você não higienizar, pode ocorrer o mesmo efeito, porque é um fio sintético colado no seu cabelo natural. E no olho é mais complexo, porque tem o uso da maquiagem, que acaba acumulando na extensão, a oleosidade, dentre vários fatores”, compara.
Ela descreve seu procedimento padrão, que começa com a cliente vindo sem maquiagem. “Fazemos toda higienização dos cílios natural da cliente, como manda a biossegurança. Logo após, fazemos o isolamento dos fios inferiores. Todo material usado é descartável e de uso totalmente para cada cliente. Usamos o primer para preparar o fio para aplicação do fio sintético ao natural”, lista.
Como forma de prevenção e acompanhamento, Ana Carolina adota uma postura proativa. “Sempre que a pessoa vai, até para as minhas alunas, quando eu vou dar curso, eu recomendo que depois de uns sete dias que a pessoa já foi fazer os cílios, mandar uma mensagem reforçando se está tudo bem, se está higienizando.”
Seu protocolo de cuidados caseiros é: higienização pelo menos duas vezes ao dia com xampu neutro e a escovinha específica, evitar locais muito úmidos ou poeira intensa sem reforçar a limpeza, e não coçar os olhos com as mãos sujas.
“Se caso coçar, sempre fazer essa higienização. Fazer as manutenções certinhas. A gente recomenda a pessoa voltar com 15, 20 dias. É importante ir certinho, porque a gente, na manutenção, consegue fazer uma limpeza mais profunda”, acrescenta.
Em seu estúdio, Ana Carolina nunca registrou um caso de piolho, mas já precisou lidar com o “demodex”. “Nesse caso, eu faço a remoção dos cílios e recomendo ela ir a um oftalmologista, porque só ele pode passar um remédio adequado pra ela fazer os cuidados em casa”, orienta, mostrando a integração necessária entre a estética e a medicina.
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