António Lobo Antunes, um dos escritores portugueses mais lidos do mundo, morre aos 83 anos
O escritor português António Lobo Antunes morreu nesta quinta-feira, 5, aos 83 anos. A morte foi confirmada pela editora Grupo Leya, responsável pela publicação de seu último romance, lançado em 2022.
Considerado um dos autores lusófonos mais lidos e traduzidos no mundo, Lobo Antunes era frequentemente citado como possível vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Ao longo da carreira, construiu uma obra de forte repercussão internacional.
Entre seus livros mais conhecidos estão Os Cus de Judas, Memória de Elefante (1979), Conhecimento do Inferno (1980), Fado Alexandrino (1987), As Naus (1988) e Manual dos Inquisidores (1996). Ao todo, publicou 29 romances e cinco volumes de crônicas, muitas delas originalmente escritas para a revista Visão.
Em 2007, foi laureado com o Prêmio Camões, considerado o mais importante reconhecimento da literatura em língua portuguesa.
Origem e formação
Lobo Antunes nasceu em 1º de setembro de 1942, em Lisboa, na freguesia de Benfica. Filho do neurologista João Alfredo Lobo Antunes, assistente do Nobel Egas Moniz, cresceu em uma família ligada à vida intelectual portuguesa.
Estudou no Liceu Camões e formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Guerra colonial e influência na literatura
Após concluir a formação, serviu como médico militar durante a Guerra Colonial Portuguesa, entre 1971 e 1973, no leste de Angola.
A experiência no conflito marcou profundamente sua obra e inspirou vários de seus livros. As cartas enviadas à primeira esposa durante o período foram reunidas posteriormente no livro D’este viver aqui neste papel descripto, que também inspirou o filme Cartas da Guerra, dirigido por Ivo Ferreira.
Da medicina à literatura
Após retornar da guerra, especializou-se em psiquiatria e trabalhou no Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa. Posteriormente abandonou a medicina para se dedicar integralmente à literatura.
Seu romance de estreia, Memória de Elefante, publicado em 1979, marcou o início de uma trajetória literária consolidada internacionalmente.
Reconhecimento e legado
Além do Prêmio Camões, Lobo Antunes recebeu diversos prêmios ao longo da carreira e, desde 2016, era sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa.
Em 2018, sua obra passou a integrar a prestigiada coleção da Bibliothèque de la Pléiade, tornando-o o segundo escritor português, depois de Fernando Pessoa, a entrar no catálogo da coleção.
Na cidade de Nelas, onde a família mantinha uma casa, uma biblioteca pública leva seu nome — homenagem a um autor que marcou profundamente a literatura contemporânea em língua portuguesa.
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