O novo leilão do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, poderá trazer impactos diretos para Mato Grosso do Sul. O modelo de concessão que está sendo estruturado pelo Ministério de Portos e Aeroportos prevê que a empresa vencedora assuma também a administração de dez aeroportos regionais — entre eles três localizados em cidades sul-mato-grossenses. A proposta inclui os aeroportos de Bonito, Dourados e Três Lagoas, que passariam a integrar o pacote da concessão do terminal da capital federal. A estratégia do governo é usar grandes aeroportos rentáveis como “âncora” para viabilizar investimentos e gestão profissional em aeroportos menores espalhados pelo país. Além das três cidades de Mato Grosso do Sul, o lote deverá incluir os aeroportos de Alto Paraíso (GO), Barreiras (BA), Cáceres (MT), Juína (MT), Ponta Grossa (PR), São Miguel do Araguaia (GO) e Tangará da Serra (MT). Para Mato Grosso do Sul, a medida pode representar uma nova etapa de modernização da infraestrutura aeroportuária regional. Bonito, um dos principais destinos turísticos do Brasil, depende diretamente da conectividade aérea para sustentar o crescimento do turismo. Já Dourados e Três Lagoas têm papel estratégico na logística empresarial e no atendimento ao interior do Estado. O modelo de concessão ainda passará pela análise do Tribunal de Contas da União (TCU). A expectativa do governo federal é que o processo seja levado ao plenário da Corte em abril, permitindo que o leilão ocorra no segundo semestre deste ano. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a inclusão de aeroportos regionais em concessões maiores tem como objetivo garantir investimentos e melhorar a gestão dessas estruturas, muitas vezes com baixo movimento, mas consideradas estratégicas para o desenvolvimento regional. Atualmente, o aeroporto de Brasília é administrado pela concessionária Inframérica, responsável pela gestão desde 2012. A empresa, no entanto, vem apontando dificuldades financeiras no contrato e solicitando reequilíbrio econômico da concessão. Diante desse cenário, o governo estuda realizar a nova concessão no modelo de venda assistida, em que o poder concedente auxilia na transferência da operação para um novo investidor sem a necessidade de encerramento formal do contrato atual. A expectativa é de que, além da atual concessionária, ao menos outras duas empresas participem da disputa pelo complexo aeroportuário. Antes disso, o governo federal tem outro leilão previsto no setor: o do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, marcado para 30 de março, com lance mínimo de R$ 932 milhões.