Os três envolvidos na tortura de uma mulher trans, de 29 anos, tiveram a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva neste domingo (15). O caso ocorreu na madrugada de sábado (14), em Ponta Porã, a cerca de 315 quilômetros de Campo Grande. Um dos autores, de 38 anos, é filho de um coronel da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. Conforme o boletim de ocorrência, a vítima sofreu diversas agressões durante a madrugada. Entre os atos de violência, ela foi marcada com uma suástica nazista no braço esquerdo. De acordo com o registro, a mulher estava em casa quando foi procurada pelo ex-companheiro, que tentou reatar o relacionamento. No fim da tarde, uma mulher ligou para a vítima pedindo que ela fosse até a casa do casal para receber um pagamento e realizar um serviço de corte de grama. Ela foi acompanhada do ex-companheiro, levando o instrumento de trabalho. Segundo o depoimento, ao entrar no escritório da residência, a vítima encontrou o ex segurando uma faixa de jiu-jitsu, enquanto o morador da casa estava sentado diante de um recipiente contendo uma pequena quantidade de sangue. Ainda conforme o relato, o homem ordenou que ela cheirasse o frasco e, em seguida, levasse o conteúdo para enterrar, mas a vítima recusou. Na sequência, ela teria sido obrigada a se sentar e questionada se preferia morrer em pé ou sentada. Temendo pela própria vida, tentou fugir. De acordo com o registro policial, foi então segurada pelo ex, enquanto o outro homem passou a agredi-la com um taco de sinuca. A vítima relatou ainda que foi espancada diversas vezes com golpes de vassoura, socos e joelhadas. Enquanto um dos autores desferia os golpes, outro a segurava. Em determinado momento, um deles esquentou uma faca no fogo e gravou uma suástica no braço esquerdo da vítima. Ela também foi ameaçada de morte caso denunciasse o ocorrido. Os autores, de 38, 22 e 25 anos, tiveram a prisão preventiva decretada. Um deles é filho de um tenente-coronel da Polícia Militar de Dourados.