O fumacê mata o mosquito adulto, mas não elimina os criadouros — foco principal da proliferação da dengue O barulho do carro do fumacê já virou trilha sonora conhecida em Campo Grande — mas, sozinho, ele não resolve o problema. Nesta quarta-feira (18), o combate ao mosquito Aedes aegypti será reforçado em seis bairros da Capital, em mais uma tentativa de frear o avanço da dengue, zika e chikungunya. As equipes da Coordenadoria de Controle de Endemias Vetoriais (CCEV), da Sesau, circulam das 16h às 22h pelos bairros São Conrado, Batistão, Coophavila II, Universitário, Alves Pereira e Centenário, utilizando o UBV pesado — o popular fumacê. Mas o cenário se repete: enquanto o poder público passa, a batalha continua dentro das casas. Combate que não entra sozinho O inseticida aplicado elimina principalmente os mosquitos adultos, com foco nas fêmeas — responsáveis pela transmissão das doenças. Ainda assim, o alcance depende diretamente de uma atitude simples: abrir portas e janelas. Sem isso, o veneno não chega aos locais onde o mosquito costuma se esconder. E é aí que mora o problema. Mesmo com ações frequentes, o ciclo da dengue se mantém alimentado por água parada em quintais, calhas entupidas, vasos e recipientes esquecidos. O fumacê mata o mosquito que já está voando — mas não impede o nascimento dos próximos. Efeito limitado e dependente do clima Outro obstáculo é o próprio tempo. Chuva, vento ou neblina podem suspender a aplicação, reduzindo ainda mais o impacto da estratégia. Além disso, por atingir também outros insetos, o uso do produto exige critério técnico — o que impede aplicações indiscriminadas. A guerra invisível Na prática, o fumacê funciona como um “ataque de emergência”, usado quando os casos aumentam. A prevenção, porém, continua sendo silenciosa — e doméstica. Enquanto houver água parada, haverá mosquito. E enquanto houver mosquito, o carro vai continuar passando.