O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” cresceu no Brasil e já movimenta centenas de milhares de unidades por mês. Dados de janeiro de 2026 mostram que farmácias venderam 443.815 caixas de medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy em todo o país. O levantamento foi feito pelo jornal Folha de São Paulo com base no SNGPC (Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados), vinculado à Anvisa, que voltou a exigir o registro dessas vendas em 2025. Mato Grosso do Sul aparece na 16ª posição no ranking nacional de compras oficiais, com receita médica. São 108 caixa a cada 100 mil habitantes. Mas esse cenário pode estar bem distorcido, porque estimativas de fiscalização indicam que o consumo real pode ser até três vezes maior, devido à entrada de produtos via Paraguai. Entre os medicamentos oficiais, o Mounjaro liderou as vendas legais no Brasil, com 52,8% do total, seguido pelo Wegovy, com 24,8%. Já os produtos à base de semaglutida, como Ozempic e Rybelsus, representaram 45,3% das unidades comercializadas. A idade média dos compradores é de 47 anos entre mulheres e 46 entre homens. A faixa etária de 40 a 49 anos concentra 26,5% das compras e lidera o consumo no país. A maior parte das vendas ocorreu na Região Sudeste, responsável por 60,4% das caixas comercializadas. O Distrito Federal teve o maior consumo proporcional, com 508 caixas por 100 mil habitantes. O Amazonas registrou a menor taxa: 29 caixas por 100 mil habitantes. Os dados oficiais indicam ainda que 98,1% das vendas foram realizadas mediante prescrição médica, com profissionais registrados no CRM (Conselho Regional de Medicina). A Anvisa também identificou que 32% das notificações de efeitos adversos relacionados a medicamentos com semaglutida estão associadas ao uso fora das indicações aprovadas. Segundo a OMS, a média global é de 10%. Outro fator que deve impactar o mercado é a queda da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, prevista para esta sexta-feira (20). A expectativa é de redução no preço dos medicamentos. Atualmente, uma caixa de Mounjaro pode custar a partir de R$ 1.500. Já o Ozempic, na dose inicial, custa cerca de R$ 963. Hoje, cerca de 45% dos consumidores desses medicamentos pertencem às classes mais altas. A tendência é de ampliação do acesso com a redução dos preços.