Tem lugar que nasce para ser gourmet. No caso do bar de Kleverson Vera, a coisa foi totalmente ao contrário. O objetivo é ir na contramão: ser autêntico, com comida de boteco tradicional. Ali, o cheiro que domina não é de hambúrguer artesanal nem de prato instagramável, mas de moela acebolada borbulhando na panela, fígado com jiló e até língua bovina com cebolinha e cheiro-verde. Tudo começou como uma conveniência, mas, em um ano, mudou muito a forma e o cardápio. Por ali, o que menos sai é a tradicional batata frita. O pessoal quer saber mesmo é da panceta com limão e cerveja gelada para acompanhar. Aos 49 anos, Kleverson, ou Nino, como todos chamam, mudou o rumo da vida drasticamente. Apesar de hoje trabalhar bem mais que antes, quando era representante comercial de fármacos, ele assegura que vive bem mais feliz. Mas, antes da panela, veio uma vida inteira de jaleco e estrada. Foram 27 anos trabalhando com medicamentos; ele chegou a ser propagandista, representante hospitalar e a trabalhar em distribuidora. Uma rotina intensa que, em algum momento, deixou de fazer sentido. "Precisava mudar um pouco a vida e acho que mudei demais. Hoje trabalho muito mais, porém sou muito mais feliz." O estalo veio, como ele mesmo descreve, quase como um chamado. “Deus me deu uma luz e falou: ‘Vai montar um bar, que é o que você sabe fazer e o que você gosta’”. E foi assim, sem roteiro elaborado, que o Bar do Nino começou a sair do papel, ou melhor, da vontade. "Eu gosto de cozinhar, mas nunca fiz as coisas do cardápio. Mas eu e minha esposa queríamos um bar raiz e realmente é, porque onde as pessoas acham fígado com jiló, língua, lambari, panceta e outras coisas que vêm por aí?" O que começou há 2 anos como uma conveniência com espetinho tomou outro rumo. Cresceu, ganhou identidade e virou ponto de encontro. Hoje, mais do que clientes, Kleverson diz que coleciona amizades. O ambiente, ele faz questão de frisar, é familiar: casais, crianças, mesas cheias, mas sem bagunça. “É assim que eu gosto e é assim que vai ser mantido”. Por ali, a comida é "sem frescura ou sem invenção". "Aqui é copo americano, cerveja e comida boa”, acrescenta Nino. Um dos carros-chefes, bolinho de costela com queijo, sai a R$ 49,90; já o líder supremo, fígado com jiló, R$ 48,90. A língua acebolada sai a R$ 45,90, enquanto a porção de panceta, R$ 59,90, e lambari empanado, R$ 49,90. O cardápio ainda conta com sobá, batata frita e pastel. Na parte de bebidas, doses de pinga de R$ 13 a R$ 30. A feijuca sai a R$ 39,90. O bar abre de segunda a sexta, das 16h à meia-noite. Aos sábados, muda o ritmo: começa mais cedo, às 11h, e a feijoada entra em cena acompanhada de música ao vivo, às vezes samba, às vezes modão raiz. O bar do Nino fica na Rua Amazonas, 1468, na Vila Gomes.